Política

SUBIU O TOM

Lula critica novo tarifaço dos EUA e chama Marco Rubio de “latino-americano frustrado”

Presidente afirmou que Brasil não aceitará tratamento dado pelos Estados Unidos e defendeu relação baseada no diálogo e no respeito institucional

Natalia Costa

03 de junho de 2026 às 14:47 ▪ Atualizado há 5 horas


À esquerda, presidente Lula. No lado oposto, o secretário americano Marco Rúbio. Foto: Ricardo Stuckert e Freddie Everett
À esquerda, presidente Lula. No lado oposto, o secretário americano Marco Rúbio. Foto: Ricardo Stuckert e Freddie Everett

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil e classificou como inaceitável a nova rodada de tarifas anunciada pelo governo norte-americano. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (3), durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto.

A fala mais dura do presidente foi direcionada ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. "Eu já tinha dito e disse ao presidente Trump: esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado", criticou o presidente.

Ao falar aos ministros, Lula afirmou que o Brasil vive um momento de fortalecimento democrático e destacou que o país não pode aceitar o tratamento recebido dos Estados Unidos nos últimos dias.

"Nós somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana. Não é possível", declarou.

O presidente também afirmou que o governo brasileiro nunca se recusou a negociar com os Estados Unidos e criticou a forma como tomou conhecimento das primeiras tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Segundo Lula, a medida foi anunciada inicialmente por meio de uma publicação em rede social, sem comunicação diplomática formal entre os dois governos.

"Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tuíte do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exigem", disse.

Lula contesta justificativa econômica

Durante o discurso, o presidente questionou os argumentos econômicos apresentados pelos Estados Unidos para justificar as tarifas contra produtos brasileiros.

De acordo com Lula, o déficit comercial mencionado pelo governo norte-americano não corresponde à realidade da relação entre os dois países.

"Porque o déficit que os Estados Unidos dizem que têm com o Brasil é o Brasil que tem contra ele. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os Estados Unidos, e não os Estados Unidos contra o Brasil."

O petista afirmou ainda que o governo brasileiro optou por responder às medidas por meio do diálogo e da argumentação, evitando discursos mais agressivos.

Relação histórica entre Brasil e EUA

Ao comentar a relação bilateral, Lula afirmou que o Brasil conhece episódios históricos envolvendo a atuação dos Estados Unidos na política brasileira e citou o golpe militar de 1964.

"Nós sabemos que esse país foi vítima de golpe em 1964 articulado por embaixadores americanos no Brasil. Nós sabemos disso."

Apesar das críticas, o presidente ressaltou que o governo brasileiro não pretende ampliar o conflito diplomático com Washington.

"Nós não queremos guerra. Queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos. Queremos fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos."

Reunião com Trump

Lula também revelou detalhes de uma reunião anterior com Donald Trump, na qual apresentou propostas de cooperação entre os dois países.

Segundo o presidente, foram entregues documentos abordando temas como combate ao narcotráfico, comércio internacional, enriquecimento de urânio, terras raras e minerais críticos.

O chefe do Executivo afirmou que sugeriu um prazo de 30 dias para que representantes dos dois governos buscassem uma solução negociada para as divergências comerciais.

"Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás. Mas se vocês estiverem errados, vocês voltam atrás."

Ao encerrar o discurso, Lula afirmou que ficou surpreso com a nova taxação anunciada pelos Estados Unidos e disse acreditar que os dois países estavam construindo uma nova etapa de relacionamento diplomático.

"Saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento entre Brasil e Estados Unidos. Fui pego de surpresa com a decisão."


Fonte: Brasil 247



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