A subcomissão da Copa de 2014, criada na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados para acompanhar a organização do Mundial no Brasil, vai realizar audiência pública em São Paulo, no próximo dia 14, com o objetivo de analisar atrasos de obras de adaptação de estádios e de mobilidade urbana. O Morumbi, na capital paulista, é um dos estádios em que as obras estão atrasadas. Depois de São Paulo, a comissão irá ao Rio de Janeiro, com a mesma finalidade. Nessa segunda-feira (3), terminou o prazo dado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) para que as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 iniciem as obras, mas pelo menos metade delas ainda não começou. As obras de mobilidade urbana também ainda não foram iniciadas. As 12 cidades-sede são o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife e Salvador. De acordo com o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), presidente da subcomissão da Copa, todas as ações governamentais com vistas ao Mundial de 2014 estão atrasadas. O ministro das Cidades, Marcio Fortes, negou que haja atrasos nas obras de mobilidade urbana programadas para a Copa. Em audiência na subcomissão na semana passada, ele garantiu que as obras estarão prontas em 2013, ao custo de R$ 11,4 bilhões. Afirmou que as prioridades dos investimentos são no setor de transporte público, que continuará sendo utilizado pela população após o fim dos Jogos. Quanto aos estádios, portos e aeroportos, ele disse que são de responsabilidade de outros ministérios. Para Silvio Torres, os atrasos nas obras criam o risco de elas ficarem bem mais caras. "Desde que ficou definido que o Brasil será a sede da Copa de 2014, pouquíssimas iniciativas ocorreram. Alguns municípios e estados estão sem capacidade de endividamento e seus investimentos podem acabar sendo assumidos pelo governo federal. Se isso ocorrer, os gastos vão ficar muito maiores", disse Torres. O cronograma dos projetos de trânsito e mobilidade urbana do Ministério das Cidades, que vão beneficiar os turistas e torcedores na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, prevê que eles sejam contratados com as 12 cidades-sedes até o dia 3 de julho deste ano. Segundo a assessoria de Comunicação do ministério, as obras serão iniciadas na data prevista, ou seja, ainda neste ano. Por se tratar de ano eleitoral, não haverá contratação após essa data. Ainda nesta semana, de acordo com o ministro Márcio Fortes, deverão ser publicadas no Diário Oficial da União cinco cartas-consulta, já analisadas pelo ministério. Elas contêm os projetos de mobilidade urbana das cidades de Manaus, São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Fortaleza. As obras vão dotar as cidades de novos meios de transporte expressos, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Brasília e o BRT (Bus Rapid Transit) em Fortaleza.O próximo passo será a análise dos projetos pela Secretaria do Tesouro Nacional para aaprovação do recurso. Os processos de licitação e medição, entre outros, serão realizados pela Caixa Econômica Federal.O deputado Silvio Torres disse que a maior preocupação é com as obras de mobilidade urbana, como a ampliação de aeroportos e a melhoria dos acessos rodoviários às cidades que sediarão os jogos. Ele alertou que o Brasil não tem mais quatro anos para se preparar, mas apenas três. Isso porque, em 2013, o país vai promover a Copa das Confederações, que será usada como teste para o Mundial.O parlamentar lembrou que a maioria dos projetos e editais de licitação ainda está em fase de estudos. As obras dos estádios, pelo calendário estabelecido pela Fifa, deveriam ter sido iniciadas em março, prazo que foi prorrogado para 3 de maio. Rio de Janeiro é o campeão do atrasoO Rio de Janeiro é o município onde a situação das obras nos estádios para a Copa de 2014 está mais grave. De acordo com o Portal 2014 (www..copa2014.org.br), não há nenhum projeto definido ou qualquer sinal de abertura da licitação. O Rio, segundo o levantamento, é uma das seis cidades-sede que ainda ainda não iniciaram as obras de renovação dos estádios, entre as 12 escolhidas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).Em Recife, a licitação foi paralisada por recurso de uma das participantes, e Natal ainda não publicou o edital para a seleção da construtora, embora prometa iniciar obras secundárias este mês. Obras secundárias também são o recurso de Salvador para cumprir o mínimo exigido pela Fifa. A capital baiana foi uma das primeiras a promover a licitação, mas o processo acabou embargado por uma ação do Ministério Público Federal.Em Brasília, só há pouco tempo foi liberada a licitação pelo Tribunal de Contas e as propostas deverão ser abertas nesta semana. São Paulo continua enfrentando críticas da Fifa ao projeto de remodelação do estádio do Morumbi e aguarda avaliação da entidade às últimas modificações propostas pelo São Paulo Futebol Clube.Em Curitiba, o Atlético Paranaense espera que o governo do estado empregue recursos públicos na renovação da Arena da Baixada. E em Porto Alegre, o Internacional ainda se recusa a recorrer ao financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas não conseguiu, até agora, iniciar as obras por conta própria.Conforme o levantamento do Portal 2014, apenas em Belo Horizonte, Manaus e Cuiabá as obras nos estádios foram iniciadas. A capital mineira disputa a abertura do Mundial com Brasília e São Paulo, e segue à risca um cronograma próprio acertado com a Fifa. Manaus e Campo Grande começaram a desmontar as estruturas dos antigos estádios antes de estourar o prazo da Fifa.
Fonte: Agência Brasil