Brasil

DECISÃO

STF derruba restrições municipais ao ensino em linguagem neutra

Ministros defendem que regras sobre ensino da língua devem seguir diretrizes federais

Pâmela

25 de abril de 2025 às 10:52


O ministro André Mendonça
O ministro André Mendonça

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria no plenário virtual para invalidar leis municipais do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais que restringiam o uso e o ensino da linguagem neutra em escolas

Relator do caso, o ministro André Mendonça votou pela anulação das leis. Seu voto foi acompanhado pelos dos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Edson Fachin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Segundo Mendonça, seriam inconstitucionais leis municipais ou estaduais que tratem sobre a língua portuguesa, argumentando que essa responsabilidade é federal. No entanto, o ministro Cristiano Zanin divergiu da maioria. Segundo o magistrado, cabe à gestão municipal decidir o que é ensinado. Nunes Marques acompanhou a divergência.

Ainda de acordo com Zanin, contudo, são constitucionais trechos das leis que garantem “o direito ao aprendizado da língua portuguesa de acordo com as normas e as orientações legais de ensino, estabelecidas nos termos das diretrizes nacionais”.

A educação deve ser embasada no “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) e com a gramática elaborada nos termos da reforma ortográfica ratificada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, conforme os votos vencidos. 

Entenda

A linguagem neutra, também chamada de linguagem inclusiva de gênero, é uma forma de comunicação que busca não marcar o gênero masculino ou feminino nas palavras, com o objetivo de incluir pessoas não binárias (que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher) e promover maior igualdade de representação.

Como funciona?

Na língua portuguesa, muitas palavras variam conforme o gênero. Por exemplo:

  •  Aluno (masculino) / Aluna (feminino)
  •  Todos (masculino plural) / Todas (feminino plural).

A linguagem neutra propõe substituições que evitem essas marcações. Algumas estratégias comuns incluem:

  • Uso da letra "e" para neutralizar:
    Alune (em vez de aluno ou aluna)
    Todxs ou Todes (em vez de todos ou todas)
  • Uso de símbolos ou combinações, como o "@" (menos usado em contextos formais por dificultar a leitura para pessoas com deficiência visual).

Por que há debates sobre o tema?

O uso da linguagem neutra é defendido por movimentos sociais ligados aos direitos LGBTQIA+ como uma forma de tornar a comunicação mais inclusiva. No entanto, há quem critique seu uso, especialmente setores mais conservadores da sociedade, alegando que:

  • Compromete a gramática tradicional da língua portuguesa
  • Dificulta a compreensão para crianças, idosos e pessoas com deficiência auditiva ou visual
  • Seria um tema político, sem necessidade de interferência nas regras linguísticas já estabelecidas.

Onde a linguagem neutra é mais comum?

Ela é mais encontrada:

  •  Em redes sociais
  •  Em eventos acadêmicos ou militantes
  •  Em manuais e políticas de diversidade de algumas empresas e instituições.

Fonte: Brasil 247



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