Brasil

Renato Silva vira herói do Botafogo contra o Fluminense

Piauí Hoje

Teresinha

21 de abril de 2008 às 04:04


Herói do título do Botafogo neste domingo, o zagueiro Renato Silva foi um dos últimos a chegar na churrascaria onde o elenco comemorou a conquista da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca. Acompanhado da namorada e de um grupo de amigos, o jogador conversou com o Globo Esporte. No bate-papo, Renato contou detalhes de momentos antes do time partir para o Maracança para a decisão, de sua volta por cima no futebol e de como ficou desacreditado após ser vaiado pelos alvinegros, em 2007. Como foi o lance do gol e como está a sua cabeça horas depois de dar esse título ao Botafogo?Trabalhei para isso e vinha tentando marcar os gols nos jogos do Botafogo. O grupo era desacreditado no início da competição e agora está aí. No segundo turno, o nosso time foi muito bem. No primeiro, o Botafogo poderia até ter sido campeão, mas não conseguimos.Esse título foi uma resposta ao críticos e ao Fluminense, que o dispensou no passado?A resposta não foi para ninguém, foi para mim mesmo. Passei por um momento ruim, mas passei por cima. Estou bem e espero continuar assim. Nem mesmo eu acreditava em mim, então foi uma resposta pessoal.Como é estar desacreditado de si mesmo?Tudo aconteceu quando tivemos aquele problema na partida com o River Plate. A torcida pegou no meu pé. Tentava fazer as coisas direito, mas nada dava certo. Pensei que não fosse voltar a jogar bem. A minha renovação de contrato ainda foi complicada e tinha a desconfiança do torcedor. Eu errava um passe bobo e todos pegavam no meu pé. Aos poucos, tudo foi melhorando e a confiança voltou. Agora, fiz o gol do título. Até quando vai o contrato com o Botafogo? Tenho contrato com o Botafogo até o meio do ano, mas espero renovar. Até os meus pais, que moram em Goiânia, estão vindo para cá. Quero ficar.Você tem passagens por Fluminense e Flamengo, mas acabou vencendo mesmo no Botafogo. Como vê a sua trajetória no futebol carioca?Cheguei ao Flamengo em 2005. Jogamos nove partidas e ficamos sete sem perder. Em 2006, o nosso time ganhou a Copa do Brasil e o meu contrato se encerrava no fim do ano. O grupo de portugueses, donos dos meus direitos, me negociaram com o Santos, estava tudo certo. Porém, as coisas desandaram e não fui para São Paulo. Teve o contato do Fluminense, o dinheiro era bom, e tudo isso me fascinou muito. E aí, aconteceram aquelas coisas em 2007 (o zagueiro se refere ao resultado positivo do seu exame antidoping).Momentos antes de o Botafogo seguir para o Maracanã no domingo, você entrou no ônibus e ficou um tempo sozinho. O que passou na sua cabeça naquele momento?Eu estava no quarto, sozinho, ansioso para ver as portas batendo e os jogadores saindo em direção ao ônibus. Mas isso não acontecia, estava demorando. Saí logo e desci na concentração para entregar uns ingressos para os meus familiares e para a minha namorada. Acabou que fui direto para o ônibus e fiquei observando o pessoal subindo para irmos para o Maracanã. Vi o pessoal confiante e pensei: "Não posso dar mole" (risos). E o lance do pênalti? Pensou que ali a torcida poderia pegar no seu pé de novo? Pensei comigo: ou o Castillo pegava ou a bola ia para fora. Acabou que o Washington mandou a bola na trave. Não me abati no lance do pênalti, mas, se ele tivesse feito o gol, poderia até ter sentido. Ainda bem que não entrou e fui feliz no fim ao marcar aquele gol. Gravei o lance e vou ficar vendo e revendo em casa.

Fonte: Globo Esporte



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