Brasil

Rapaz perde 82kg em 9 meses e prova que é possível emagrecer sem ciru

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Teresinha

20 de novembro de 2012 às 22:11


 Dezembro de 2011. João Ricardo Medeiros tinha dificuldades para dormir. Sofria de apneia, roncava muito. Adormecia toda a noite, mas levantava cansado. Acordava para enfrentar a rotina: trabalho de manhã e tarde e aula à noite. À época, começava a concluir a realização do sonho de ser publicitário, objetivo que alcançou em julho de 2012. Mas ele ainda tinha um problema para resolver: se livrar de 70 dos seus 178 quilos. Isso mesmo. Aos 20 anos, com 1,90 metro, o Janjão do futsal, do basquete, do Reino Infantil, da Faculdade São Luís estava prestes a enfrentar um dos maiores desafios da sua vida. Como faria?

Numa noite, naquele mesmo dezembro, seu pai, símbolo e referência de vida entrou em seu quarto, assim como fizera dezenas de outras vezes. O papo era o mesmo. Ricardo Medeiros (administrador de formação, empresário e hoje secretário municipal da Blitz Urbana) sentou-se à cama, ao lado do filho, e de posse dos resultados de exames regulares que Janjão fizera, desabafou: “Não quero brigar com você mais uma vez. Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Mas você não deu valor. Quero que saiba que você está indo por um caminho sem volta. Não desistirei, mas quero que você decida se quer se tratar ou não”. Janjão chorou.

O pai, Ricardo, sabia exatamente o que falava. Com histórico de obesidade mórbida e diabetes na família, ele sempre se preocupou com a alimentação, com a saúde e com o corpo. Briga diariamente com a tendência para engordar. Adequa a alimentação, faz exercícios físicos e está sempre monitorando a taxas. Seu pai, avô de Janjão, sofreu do mesmo problema e faleceu.

Os exames ficaram no quarto. Janjão os pegou e no dia seguinte foi ao médico. Lá descobriu que tinha gordura no fígado, registrava picos de pressão incomuns, convivia com princípio de diabetes e era obeso mórbido. Confirmou o que já desconfiava. Era dezembro de 2011 e ele tinha 178 quilos.

Diante do drama, ele cogitou o caminho mais fácil: a redução de estômago. Seu perfil era exatamente o que um especialista precisa para, sem titubear, agendar uma cirurgia bariátrica. Mas seu pai não concordava com o procedimento, embora, naquele momento, aceitasse qualquer alternativa. Considera a cirurgia de redução de estômago invasiva demais. E teme os problemas gerados após ela. Janjão resolveu tentar. Em parte por si e muito pelo pai.

“Desde os 12 anos luto contra a balança. Mas nunca me preocupava comigo. Peguei várias dietas. Mas as achava totalmente absurdas e nem as lia. E meu pai estava sempre me chamando atenção. Ele sabia que eu estava seguindo por um caminho perigoso”, comenta.

À noite, uma nova conversa entre pai e filho. Janjão disse que foi ao médico, checou os exames, mas não gostaria de fazer a cirurgia. Iria tentar uma última vez emagrecer por si próprio. Mas ponderou. “Pai, eu gostaria só que você me conseguisse um psicólogo. Porque tenho mente de gordo e posso não conseguir, de novo, como das outras vezes”. O pai ouviu e retrucou. “Você não vai para o psicólogo. Porque quem vai lhe acompanhar sou eu. Conta comigo em todos os momentos. Nós vamos conseguir”. Janjão, de novo, chorou. “Esse foi o segundo determinante da minha vida. Me deu toda a força que eu precisava para ir em frente”, lembra.

A dieta
A data do desafio estava, então, definida. A dieta e a mudança total na rotina e nos hábitos alimentares começariam no dia três de janeiro, após o réveillon em família. E no dia 3 de janeiro de 2012 lá estava João Ricardo e família à mesa para o café da manhã. À sua frente, torrada integral, queijo branco, frutas e leite desnatado. Ao lado, Ricardo, o pai, Clarice, a mãe, João Guilherme e João Eduardo, os irmãos mais novos. Força e união não faltaram.


Foi assim que ele conseguiu vencer os três primeiros meses, considerados os mais críticos. Se antes ele fazia praticamente todas as refeições fora de casa, Janjão agora teria de se acostumar a se alimentar em casa e regularmente. Eliminou o sal, o álcool, a carne vermelha, o carboidrato do arroz, macarrão, pão e todo o tipo de fritura. O trabalho de manhã, de tarde e a faculdade de noite obstaculizavam. Mas ele tinha de se adequar. “Comecei a fazer exercícios 13 vezes por semana. Na hora do almoço na academia e depois de onze da noite eu corria dentro do condomínio. Era o único tempo que tinha”.

O pai dava força diariamente. A mãe, além de força, impunha a ele desafios. “A cada mês ela me comprava uma camisa menor que o meu número e falava: ‘Se você entrar nessa, vai ganhar outra’”, lembra Janjão, sorrindo. E fraqueza, não bateu? “Por diversas vezes pensei em desistir. É muito difícil, um choque muito grande, principalmente nos três primeiros meses. Mas sempre que eu fraquejava, conversava com meu ‘psicólogo’”, relembra Janjão, referindo-se ao pai, o confidente e incentivador.

No primeiro mês, ele perdeu 12 quilos dos 178 que chegara a pesar. No segundo, entre oito e nove quilos. E a partir daí, já mais acostumado à dieta e à nova rotina, foi eliminando mais e mais peso. Não parou. Seu objetivo inicial, de perder 70 quilos sem cirurgia, foi alcançado em setembro. Naquele mês, pesava 112 quilos, 76 a menos. Mas Janjão queria mais.

Hoje, chegou a 96 – 82 quilos a menos que no início do ano. É incontestavelmente magro na matemática entre peso x altura. Das roupas de antes hoje restam apenas uma camisa e uma calça, para servir de lembrança do que antes fora. O rendimento no trabalho melhorou. Ele não se sente mais cansado. Dorme bem. É muito ativo e a aparência tem lhe ajudado, inclusive, a crescer na carreira.

Com sua saúde reestabelecida, Janjão guarda com carinho o maior e melhor resultado de toda essa operação: a união e o amor à família, além da profunda amizade e admiração ainda maior pelo pai, Ricardo Medeiros.

Sem isso, ele não conseguiria completar um desafi o pouquíssimo comum diante das facilidades atuais da medicina. Janjão nutriu a vontade, a necessidade e toda a força que havia dentro dele como princípio ativo e básico para alcançar seu objetivo. E conseguiu. “Hoje sou uma pessoa melhor. Nasci de novo. A partir de agora, vou comemorar meu aniversário em 21 de fevereiro e 3 de janeiro”.

Fonte: agencias



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