VIOLÊNCIA POLÍCIAL
Luiz Brandão
01 de novembro de 2025 às 13:25
Em resposta à operação policial considerada a mais letal da história do país, que resultou em 121 mortos no Complexo da Penha e do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, protestos tomaram as ruas de algumas capitais brasileiras nesta sexta-feira (31/10). Convocados por entidades de direitos humanos e movimentos antirracistas, como a Coalizão Negra por Direitos, os atos denunciaram o que classificam como uma "política de morte" contra a população negra e periférica.
Os protestos, que ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Vitória, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, tiveram como foco cobrar investigações aprofundadas, a responsabilização dos envolvidos e mudanças estruturais na política de segurança pública.

O protesto no Rio, batizado de "Chega de Massacre", foi o epicentro dos movimentos. Concentrando-se no Campo da Ordem, na Penha, mesmo sob chuva, o ato reuniu familiares das vítimas, moradores dos complexos da Penha e do Alemão, ativistas e políticos. Vestidos de branco e carregando velas, os participantes homenagearam os mortos.
Uma multidão a pé e uma carreata de kombis e motociclistas percorreram as ruas da região de forma pacífica, acompanhada por agentes da Polícia Militar. Com faixas e cartazes pedindo paz, os manifestantes entoaram o "Rap da Felicidade", um hino das favelas cariocas: "Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci".
Entre as lideranças políticas presentes estavam os deputados federais Pastor Henrique Vieira, Glauber Braga e Tarcísio Motta, e a vereadora Mônica Benício (viúva de Marielle Franco), todos do PSOL. O ato foi organizado por coletivos como Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento, Voz das Comunidades e Frente Penha.

A voz em Brasília
Na capital federal, um protesto foi realizado em frente à Biblioteca Nacional de Brasília no início da noite. Representantes da Coalizão Negra por Direitos discursaram, denunciando a "necropolítica racista que transforma a morte da população negra em projeto de poder". Eles exigiram "investigação, responsabilização e o fim da política de morte que governa as favelas".

Operação mais letal da história
A operação "Contenção", realizada na terça-feira (28/10) no Complexo da Penha e do Alemão, entrou para a história como a ação policial com o maior número de mortos em um único dia no Brasil, superando a operação no Jacarezinho em 2021, que teve 28 mortos.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), as operações policiais no estado do Rio de Janeiro resultaram em mais de 1.400 mortes só em 2022, sendo a grande maioria de homens, negros e moradores de áreas periféricas. Esses números só aumentam e evidenciam o padrão racial e social da letalidade policial, pauta central dos protestos.

Fonte: Agência Brasil
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