Brasil

FUGA

PGR pede inclusão de 8 fugitivos por atos golpistas na lista de procurados da Interpol

Entre os procurados na lista da Interpol está Alethea Verusca, uma extremista do interior de São Paulo

Luiz Brandão

16 de maio de 2024 às 21:58


Alethea Verusca Soares nos atos golpistas de 2023
Alethea Verusca Soares nos atos golpistas de 2023

A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inclusão de Alethea Verusca Soares na lista de procurados da Interpol. A moradora de São José dos Campos (SP) foi condenada por participar dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e está foragida. A suspeita é que ela tenha fugido para o Uruguai.

Ainda não há uma decisão sobre o pedido, que foi feito pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet Branco, nesta quarta-feira (15).

Além de Alethea, a PGR pediu a inclusão de outros sete procurados por envolvimento nos atos golpistas na lista vermelha da Interpol.

“O descumprimento das medidas cautelares impostas à ré, porém, demonstra sua falta de comprometimento para com a alternativa que lhe foi concedida”, escreveu Gonet no documento.

Em novembro do ano passado, Alethea foi condenada pelo STF à pena de 16 anos e seis meses de prisão por abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

Fotos dela no ato golpista fazem parte do processo em que ela foi condenada. As imagens foram feitas por ela mesma durante a invasão em Brasília. Alethea foi presa dentro do Palácio do Planalto e só conseguiu a liberdade provisória sete meses depois.

Segundo a justiça, Alethea deveria cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e nos finais de semana, comparecimento semanal no fórum da comarca onde mora, além da proibição de sair do país e de utilização de redes sociais.

Ela foi condenada também ao pagamento de multa de cerca de R$ 47 mil e pagamento, junto com outros condenados, de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 30 milhões.

Apesar disso, existe a suspeita de que a moradora de São José dos Campos tenha fugido para o Uruguai. Em janeiro deste ano, o ministro Alexandre de Moraes expediu mandado de prisão contra Alethea por descumprir as medidas cautelares.

Segundo o documento, a tornozeleira eletrônica usada por Alethea deixou de transmitir sinal para o núcleo de vigilância eletrônica de pessoas da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo. Ela também não compareceu perante o juízo no dia 8 de janeiro deste ano.

O mandado diz ainda que a Polícia Federal noticiou a evasão de Alethea para o Uruguai. No dia 26 de março, a defesa teve dois recursos negados e o processo foi transitado em julgado. Os advogados de defesa de Alethea Verusca Soares não se manifestaram sobre o casom

Em abril, uma equipe de reportagem da Rede Vanguarda esteve em dois endereços de Alethea em São José dos Campos. Em um, a mãe dela não quis comentar o assunto. Em outro, a sogra afirmou que o filhos dela está divorciado e que não tinha notícias de Alethea.

Lista vermelha da Interpol 

A difusão vermelha da Interpol é uma ferramenta de cooperação da polícia internacional que tem como objetivo localizar pessoas procuradas pela justiça para extradição. A Interpol é uma organização policial criminal por diversos países.

Para ser incluído na lista vermelha, o nome tem que ser enviado pela Polícia Federal para a sede da Interpol, na França. Em seguida, a Interpol inclui a foto e informações do procurado na base de dados global, que reúne quase 200 países no total.

A partir disso, todas as fronteiras terrestres, portos, aeroportos, hotéis e locais públicos que exigem documento passam a ter acesso aos dados do procurado.

Fonte: G1



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