Brasil

REGULAÇÃO

Moraes vê na "regulamentação das redes" condição ao retorno da normalidade democrática

Ministro do STF destaca que redes sociais, sem regulação, ameaçam os princípios democráticos

Pâmela

19 de novembro de 2024 às 08:09


Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (18) que regulamentar as redes sociais e combater a impunidade por crimes de ódio são passos fundamentais para o restabelecimento da normalidade democrática no Brasil. Segundo o magistrado, o impacto das redes sociais exige uma estrutura regulatória para garantir o equilíbrio democrático.

“É necessário, para nós voltarmos à normalidade democrática, uma regulamentação (das redes sociais) e o fim dessa impunidade. Nunca houve nenhum setor na história da humanidade que afete tantas pessoas e que não tenha sido regulamentado […] Nós que acreditamos na democracia – seja ela liberal, progressista ou conservadora – não podemos permitir a continuidade dessa manipulação contra os ideais democráticos”.

O poder das big techs e o desafio da regulação

De acordo com o Estadão, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou que a resistência à regulamentação das redes sociais está diretamente ligada ao enorme poder econômico e geopolítico das big techs. Estudos citados pelo ministro apontam que essas plataformas utilizam algoritmos para direcionar interesses econômicos e políticos, intensificando o desafio de regulação.

Na próxima semana, o STF retomará o julgamento de três ações relacionadas à regulamentação das redes sociais no Brasil, que haviam sido adiadas em maio de 2023. As ações estão sob a relatoria dos ministros Luiz Fux, Edson Fachin e Dias Toffoli, e tratam de pontos cruciais:

  • Marco Civil da Internet (Relator: Dias Toffoli): Questiona o artigo 19, que isenta plataformas da responsabilidade pelo conteúdo de terceiros, exigindo atuação apenas mediante ordem judicial. A decisão terá repercussão geral, afetando futuras decisões judiciais.
  • Obrigação de monitoramento (Relator: Luiz Fux): Analisa a obrigatoriedade de provedores monitorarem e fiscalizarem conteúdos, considerando regras anteriores ao Marco Civil da Internet.
  • Bloqueio de aplicativos (Relator: Edson Fachin): Avalia a possibilidade de decisões judiciais bloquearem aplicativos como WhatsApp e Telegram em território nacional.

Regulamentação digital avança lentamente no Congresso

Enquanto isso, no Congresso Nacional, o debate sobre a regulamentação do ambiente digital também enfrenta desafios. O Projeto de Lei das Fake News (PL 2630), que propõe regras para as redes sociais, está parado na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), indicou a necessidade de um novo texto para destravar as negociações.

Fonte: Diário do Centro do Mundo



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