CENSURA
Luiz Brandão
16 de fevereiro de 2026 às 11:03
A TV Globo voltou a ser protagonista com o que mais sabe fazer desde a sua criação: manipular e censurar informações. Durante a transmissão do Carnaval na noite deste domingo (15), a a Globo escondeu o conteúdo político do desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à Sapucaí o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto a escola apresentava referências diretas à trajetória do presidente Lula (PT) e a episódios recentes da política nacional, os comentaristas Milton Cunha, Mariana Gross, Alex Escobar, Karine Alves e Pretinho da Serrinha concentraram suas falas em aspectos técnicos, fantasias, alegorias e acabamento estético.
A comissão de frente encenou uma sequência simbólica com personagens representando os quatro últimos presidentes do país. Na coreografia, Lula passava a faixa presidencial para Dilma Rousseff, que a perdia para Michel Temer em alusão ao golpe do impeachment de 2016.

Nos bastidores, a emissora já havia orientado seus profissionais a manter postura neutra, evitando interpretações que pudessem ser entendidas como propaganda ou posicionamento político. A escolha editorial ficou evidente também na decisão de não exibir integralmente o início do desfile da escola de Niterói.
Nas redes sociais, telespectadores reclamaram que a agremiação já estava avançada na avenida enquanto a transmissão permanecia com comentários em estúdio. Houve críticas diretas à emissora por supostamente minimizar a exibição da homenagem.

A diferença na abordagem reforçou, para parte do público, a impressão de omissão no caso do desfile dedicado a Lula. Na avenida, o enredo percorreu a trajetória do presidente desde a infância. O ator Paulo Vieira interpretou Lula ao longo da apresentação.

A narrativa foi conduzida em primeira pessoa por Dona Lindu, mãe do presidente. A letra relembra a viagem de “13 noites e 13 dias” em um caminhão pau-de-arara entre Garanhuns (PE) e a periferia do Guarujá (SP), conectando a trajetória da família à história política de Lula.


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