Um clube à beira do caos. A reunião do Conselho de Administração do Flamengo, na noite de segunda-feira, assustou aqueles que estavam na plateia. Entre xingamentos eameaças de pancadaria, alguns dados expostos no encontro esmiuçaram a situação de calamidade do clube. Dentre as 20 medidas que foram discutidas na votação, uma teve aprovação em caráter emergencial: um pedido de empréstimo até sexta-feira de R$ 10 milhões para quitar as dívidas (13º salário e dezembro) com funcionários e jogadores. Há outros débitos altos com atletas do próprio elenco, como Marcelinho Paraíba, Leo Moura e Obina e ex-jogadores, casos de Romário e Gamarra. E também com jogadores que já deixaram o clube, caso do zagueiro Rodrigo, atualmente no São Paulo. O Rubro-Negro também tem uma dívida de R$ 300 mil em cheques protestados do acordo com o jogador. Mas para apertar os cintos, o Flamengo pretende ir bem mais além. Há a sugestão de suspender as contratações no departamento de futebol, a não ser em casos muito especiais. Haverá corte total na distribuição de ingressos para torcidas organizadas e dirigentes. Estes também não ficarão mais hospedados em hotéis cinco estrelas com a delegação. A crise também respingará nos sócios. Aqueles da categoria "proprietário" terão de pagar mensalidade, o que até então não ocorria, a título de manutenção. Haverá venda de títulos de sócio proprietário por R$ 5 mil à vista ou R$ 8 mil parcelados.Os preços das escolinhas sofrerão reajustes. Tudo em busca de novas receitas. O desespero é tão grande que o clube fará uma varredura no estacionamento porque há suspeita de que funcionários de empresas próximas parem os carros gratuitamente na sede. A ideia agora é cobrar por este serviço.Houve momentos críticos na reunião. Entre eles, o presidente do Conselho Fiscal, Leonardo Ribeiro, pediu o impeachment do presidente Marcio Braga aos berros. - Eu só não te digo coisas piores porque minha educação não permite - disse Marcio, retrucando as ofensas do adversário político. Segundo pessoas que estiveram presentes no clube há muito tempo não havia uma reunião tão tensa. A maioria das medidas sugeridas na noite de segunda-feira vai à votação no Conselho Deliberativo.RelâmpagoVestidos e perfumados para irem embora, os jogadores titulares do Flamengo foram avisados após o treino da tarde de segunda-feira que o técnico Cuca planejara uma reunião a portas fechadas. Enquanto os reservas participavam do jogo-treino, o grupo aguardou na porta do vestiário pela palavra do comandante.Havia uma insatisfação visível pela demora. Depois de 40 minutos, enfim, Cuca deixou o gramado para a conversa. Surpreendentemente, depois de três minutos, os jogadores foram liberados e saíram calados do vestiário.Ainda em busca de uma atuação convincente, o treinador classificou como "burocrático" o rendimento contra o Volta Redonda. Em conversa com integrantes da comissão técnica, Cuca revelou preocupação com a falta de um homem-gol - Obina ainda não desencantou - e a necessidade de um apoiador que saiba "pensar o jogo". Segundo o treinador, Zé Roberto não se encaixa no perfil por ser um "carregador de bola". Durante o intervalo do jogo-treino, Cuca conversou por um longo tempo com Jônatas. Destaque nos treinos, o volante foi instruído a jogar mais à frente e participou de dois gols na vitória por 4 a 1 a seleção das Forças Armadas do Brasil.- Ele pediu para eu jogar mais pela direita. Consegui participar de dois gols, mas ele não comentou nada sobre essa questão da armação - disse Jônatas.
Fonte: G1