Secundaristas de várias regiões de São Paulo e estudantes universitários de todo o Brasil estarão nas ruas amanhã.
Hoje duas mobilizações estudantis vão paralisar universidades e também as escolas estaduais paulistas. A União Nacional dos Estudantes (UNE) pretende ocupar as ruas, universidades, escolas e praças em atos políticos e culturais "contra o golpe”, como avaliam o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Já os estudantes secundaristas de São Paulo vão realizar ato, às 8h, no vão do Masp, na Avenida Paulista, contra os cortes de verbas na educação, o fechamento de salas de aula e pela punição da máfia da merenda.
A UNE vai realizar atos em universidades públicas e privadas de 17 estados, durante todo o dia (confira os locais ao final da reportagem). “Sem democracia não há liberdade, não há direitos, nem avanços. E recessão não combina mais com o Brasil. As universidades e escolas são trincheiras de resistência e consciência democrática. Não podemos confiar no Congresso Nacional, vimos a vergonha que foi a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, por isso, a mobilização popular é única forma de derrotar esse impeachment golpista”, defende a entidade em convocatória.
Em entrevista, na noite de ontem (26), ao programa Espaço Público, da TV Brasil, a presidenta da UNE, Carina Vitral, afirmou que o processo para depor uma presidenta do poder provoca danos ao país. “Os movimentos seguem nas ruas para contrapor o que acontece no Congresso Nacional e para derrotar politicamente o impeachment. A gente mesmo tem várias críticas na área da educação, do programa de governo e do que foi esse segundo mandato da presidente Dilma. Mas a gente acha errado \'impichar\' uma presidente sem que haja crime de responsabilidade, sem que haja prova”, afirmou.
Já os secundaristas, que vêm se organizando desde a ocupação de escolas que derrotou a proposta de reorganização escolar elaborada pelo governo Alckmin no fim do ano passado, pretendem também realizar paralisações em várias escolas da rede estadual paulista, “como uma forma de pressionar o governo contra os cortes de investimento e deterioração do ensino”.
Entre outros problemas na educação gerida pelos tucanos há 20 anos, eles destacam a falta de merenda escolar – que teve a distribuição afetada após a denúncia contra a máfia da merenda –, o fechamento silencioso de ciclos, turnos e salas de aula, e o desrespeito aos professores da rede estadual, que não tiveram reajuste salarial no ano passado e, neste ano, receberão um bônus de desempenho muito reduzido, além de, provavelmente, não terem aumento no salário.