O aumento no número de cirurgias bariátricas nos Estados Unidos está começando a ter um efeito cascata no campo da cirurgia plástica, segundo os novos dados divulgados pela Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS). Procedimentos cirúrgicos especificamente associados com a perda de peso maciça – abdominoplastia, lifting de coxas, lifting de braços e elevação das mamas – cresceram num ritmo rápido, nos últimos quatro anos, informa o relatório da entidade médica.
Segundo dados divulgados, em 2013, 179 mil americanos foram submetidos à cirurgia bariátrica, uma média de quase 500 procedimentos por dia. De acordo com a Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, este é o maior número desde 2009 e o terceiro maior número já registrado. Desde então, as cirurgias plásticas relacionadas à perda de peso aumentaram também.
O lifting de coxas e de braços teve o maior aumento em um único ano, no período de cinco anos, em 2014. A abdominoplastia avançou em 4% e os procedimentos de elevação das mamas registraram um aumento de 10%, o maior aumento em um único ano, desde 2009, quando a entidade americana começou a acompanhar os procedimentos realizados especificamente em pacientes com perda de peso maciça.
Em 2014, cerca de 45.000 pacientes americanos que apresentaram perda de peso maciça também optaram por se submeter a uma cirurgia plástica para remodelar seus corpos. Embora esses números representem o maior aumento em um único ano, no período de meia década, eles representam apenas uma fração dos pacientes que poderiam se beneficiar com a cirurgia plástica.
Dados brasileiros
No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, SBCBM, a cirurgia bariátrica vem crescendo expressivamente. O Brasil é o segundo país com mais cirurgias realizadas. Em 2014, foram realizados cerca de 88 mil procedimentos. Do número total de cirurgias feitas no Brasil estima-se que 10% são feitas pelo SUS.
A SBCBM segue as diretrizes que foram estabelecidas em reunião conjunta com o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina, que gerou a Resolução CFM N° 1766, de 13 de maio de 2005, atualizada posteriormente para resolução CFM N° 1942, de 12 de fevereiro de 2010. Nela estão definidas as indicações para a cirurgia bariátrica, como deve ser montada a equipe multidisciplinar que fará o acompanhamento de cada paciente, os tipos de cirurgias autorizadas no Brasil, além de outras diretrizes legais.
De acordo com as orientações da resolução, a cirurgia é indicada apenas para pacientes com IMC igual ou maior que 40 e pode ser realizada em casos de IMC entre 35 e 40, desde que o paciente tenha comorbidades como, por exemplo, o diabetes. O IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.
Plástica após a bariátrica
Conversamos com o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada (CRM-SP 62.735), sobre a importância da realização da cirurgia plástica após a perda de peso massiva, bem como os cuidados e as técnicas cirúrgicas empregadas nesses casos. Confira:
01) Segundo a resolução CFM N° 1942/2010, a equipe que deve fazer o acompanhamento do paciente que se submeterá a uma cirurgia bariátrica deve ser composta por cirurgião com formação específica, endocrinologista, nutrólogo ou nutricionista, psiquiatra ou psicólogo, além da equipe de atendimento hospitalar: anestesiologista, fisioterapeuta e enfermagem. O cirurgião plástico não deveria estar presente desde o início desse processo terapêutico?
Fonte: assessoria