O auditório Rogério Steinberg, na Gávea, estava lotado para receber Caio Júnior na tarde desta terça-feira. Até aplausos ele recebeu. De saída, Joel Santana observou a entrevista do sucessor com o olhar no horizonte. Mas na primeira vez que foi questionado, o "papai" da família do Flamengo passou o bastão. - O bola da vez é ele. Me tira dessa. Vou passar como é o comportamento dos nossos jogadores. Até o quero-quero que fica ali na Gávea, o Caio tem de ter um pouco de paciência. Vai encontrar um grupo que foi manipulado desde dezembro, um dos três melhores do Brasil - diz Joel.Novo chefão da "família", Caio assumiu o papel de "tiozão" dos jogadores e promete ouvir o antecessor nesta etapa de transição. Joel dirige o Flamengo na partida desta quarta-feira, contra o América-MEX. A estréia do treinador contratado acontece domingo, contra o Santos, no Maracanã, com portões fechados. Transição Primeira coisa é ouvir o Joel. Tenho de ter a humildade de reconhecer que preciso dar seqüência a um trabalho. Dirigi a seleção do campeonato ano passado com o Joel. Foi inesquecível. Vou conversar com o Joel e na quarta assistirei ao jogo de cima, sem participar da preleção. Elenco Conhecimento individual dos jogadores. É o ideal e o que realmente me preocupo neste momento. No mínimo, conhecer a característica da personalidade, além da área técnica. Considero as informações vividas pelo Joel nestes dez meses fundamentais. Substituir o papai Joel Talvez meu estilo seja o tiozão. Joel tem o perfil dele, o trabalho está realizado e preciso construir a minha. Meu primeiro desafio é conquistar os jogadores. A maior propaganda para um treinador é a divulgação pelos jogadores. Preciso de tempo. Este é um momento muito importante. Não hesitei em momento algum. Não imaginava que fosse disputar a Libertadores pelo Flamengo. Acontecem coisas na vida que a gente não entende, mas depois lá na frente vem a resposta. Riscos É difícil no futebol acontecer o que houve agora. Quase raro. Ao mesmo tempo que existe um risco de assumir uma equipe em bom momento, vejo que tenho um risco muito grande de ser campeão do mundo e em um primeiro instante ser vencedor da Taça Libertadores. Trabalho no Palmeiras Equilíbrio é fundamental. Nem euforia, e nem depressão. Tive uma experiência ano passado no Palmeiras que sofria uma pressão muito grande. Consegui suportar bem. Mas aqui a torcida é maior, a pressão é muito maior. Estréia com estádio vazio Parece um treinamento. Vai ser estranho, gostaria de estrear com o apoio da torcida. Flamengo Flamengo representa uma seleção brasileira. A repercussão é a mesma, a dimensão é a mesma. Em todos os lugares tem torcedores do clube. Assisti a alguns jogos neste ano, como contra o Cienciano e vi a atitude audaciosa do JoelDesconfiança da torcida Acho normal porque sou jovem (43 anos) e trabalho como técnico há quatro anos. Tive momentos importantes, como levar o Paraná à Libertadores e a passagem pelo Palmeiras. Lamentavelmente, na reta final, o Goiás não foi feliz e isso marca muito. Mas tivemos o melhor ataque do Brasil, com 64 gols em 24 jogos. Óculos vermelho e preto e a prancheta Ainda não tenho, mas fico esperando. Todos os que tenho são presentes. Quero dar uma olhadinha na prancheta.
Fonte: G1