MULHERES NO COMANDO
Luiz Brandão
25 de maio de 2025 às 15:18
O papel das primeiras-damas no Brasil sempre foi alvo de disputas ideológicas. Enquanto Michelle Bolsonaro personificou o modelo conservador—discreta, alinhada ao lar, sem protagonismo político e presa ao preconceito religioso, Janja Lula da Silva assumiu um lugar de fala ativa, defendendo causas sociais e participando diretamente da gestão governamental.
Essa diferença não é apenas política, mas também reflete a luta de uma contra o machismo estrutural que ainda dita como uma mulher na esfera pública "deve se comportar" e a submissão da outra ao conservadorismo irracional.
Nesta análise, comparamos as trajetórias das duas primeiras-damas, destacando como Janja desafia estereótipos, enquanto o legado de Michelle reforçou um ideal retrógrado de submissão feminina.

Michelle Bolsonaro: A primeira-dama evangélica
Formação e trajetória
O conservadorismo como marca
Por que a direita a elogia?

Formação e militância
Protagonismo na esfera pública
Por que a direita a critica?
A hipocrisia do machismo na política
A diferença de tratamento entre as duas revela:

Escândalos envolvendo a Família Bolsonaro
1. Quebra de decoro familiar
2. Luxo com dinheiro público
3. Parentes no governo
Janja Lula da Silva: Da militância ao Palácio
Origem e Formação Familiar
Família e compromisso social
Escândalos inexistentes X ataques políticos

A "disputa" entre Janja e Michelle simboliza dois projetos de sociedade:
Enquanto a direita ataca Janja por ser intelectual e politizada, Michelle foi poupada porque não ameaçou o status quo. A verdadeira questão é: por que uma mulher com voz própria ainda assusta tanto?
Janja começou a ser atacada quando entrou no debate sobre a regulação das redes sociais. Ela defende que a regulação deve ser prioridade para o governo. Segundo ela, a implementação das normas seria uma forma de estabelecer “regras de convivência” no ambiente virtual.
Janja foi vítima de um hacker ao ter seu perfil na rede social X, antigo Twitter, invadido. Ela criticou o dono do X, Elon Musk. Recentemente voltou a ser atacada por opinião contra os crimes contra mulheres e crianças por meio da rede Tik Tok. Janja também é vítima constante de fake news por pura misoginia, machismo e preconceitos.
A primeira-dama pode e deve ter voz
Enquanto a extrema direita prega "valores tradicionais", sua narrativa esconde misoginia pura —a ideia de que mulheres devem servir, nunca liderar. E esse foi um fatores que levaram a derrubada da presidenta Dilma Rousseff do cargo, uma mulher séria, honesta, protagonista e vítima da Ditadura Militar e de um golpe parlamentar organizado pela direita brasileira.
O debate não é sobre qual modelo está "certo", mas sobre por que uma mulher politizada causa tanto incômodo. Janja representa a quebra de um tabu, enquanto Michelle simbolizou a resistência ao avanço feminino.

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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