Teresinha
23 de novembro de 2016 às 15:11
Professores da Universidade Federal do Piauí – UFPI, estão se mobilizando para rever o posicionamento da entidade da categoria – ADUFPI, que decidiu em assembleia, porém com percentual mínimo de aprovação, não aderir à grave nacional contra a PEC 55 e outras medidas do governo federal. Os professores de oposição à ADUFPI lançaram uma carta aberta defendendo a adesão à greve. A seguir, a íntegra do documento:
“CARTA ABERTA À COMUNIDADE DA UFPI
EM DEFESA DA GREVE E DAS OCUPAÇÕES DOS ESTUDANTES – SOMOS CONTRA A PEC 55 E O DESMONTE DO ESTADO BRASILEIRO - GREVE NA UFPI JÁ!
O Movimento UFPI Democrática – MUDe – vem primeiramente manifestar repúdio a qualquer forma de ataque aos direitos sociais e trabalhistas, e reiterar seu compromisso com a defesa da educação e da universidade pública, gratuita, laica e socialmente referenciada.
O Brasil atravessa um período de crise que se expressa na recessão econômica, na diminuição dos investimentos, na inflação alta, no aumento do desemprego e no desequilíbrio nas contas públicas. Os elementos econômicos se conjugam com o esgotamento da coalisão que sustentou os últimos governos, gerando uma grave crise de representação política. Ao mesmo tempo, as frações mais conservadoras e reacionárias das elites dominantes ganham força ao se apossarem do governo, num momento marcado pela fragmentação dos trabalhadores.
Uma agenda regressiva se impõe com poder avassalador sobre os serviços públicos e direitos sociais a exemplo da PEC 55 (antiga 241), da MP 746, do PLS 204, do PLC 54 (antigo PLP 257) e dos projetos “escola sem partido” e “ideologia de gênero”. Em seu conjunto, estas medidas colidem frontalmente com as demandas sociais ao tempo em que fortalecem a vertente ideológica que propaga o medo e incita o ódio e a intolerância em escala social. A tramitação e aprovação destas medidas baseiam-se em manipulações da opinião pública por meio dos poderes executivo, legislativo, judiciário e midiático.
A PEC 55 visa alterar o dispositivo constitucional que estabelece a garantia de recursos para despesas primárias, congelando por 20 anos investimentos na infraestrutura e em políticas como educação e saúde, favorecendo a fração rentista da oligarquia financeira que opera por meio da apropriação do fundo público. Quanto à educação superior, a PEC 55 afetará gravemente o financiamento das universidades, dos institutos federais e de outras instituições públicas de ensino, pesquisa e extensão.
A MP 746 reformula profundamente o Ensino Médio ao retirar dos currículos disciplinas das áreas de humanidades. A medida abre o flanco para uma formação técnica de mão-de-obra exclusivamente dirigida ao mercado de trabalho em prejuízo da formação integral e cidadã.
Contra esta agenda regressiva a juventude vem desencadeando um forte movimento. Merecem destaque as táticas das ocupações de escolas e universidades. O movimento #OCUPATUDO espalha-se rapidamente em todo País e passa a ser o principal vetor de resistência em defesa dos direitos sociais ameaçados pelo atual governo e agrupamento político nacional dominante.
Na UFPI, os estudantes vêm protagonizando ocupações de espaços universitários, a exemplo da reitoria. O movimento #OCUPAUFPI, que já completa um mês, cumpre intensa agenda de atividades de formação política e intelectual dos estudantes e da comunidade universitária. O Movimento espalha-se por toda a UFPI convocando os discentes para a luta e paralisando atividades nos Centros e Cursos.
O que tem feito a ADUFPI face à difícil conjuntura?
A nossa seção sindical não tem destinado esforços no processo de mobilização da categoria e dos encaminhamentos da luta na base. Amordaçada e alinhada aos setores conservadores da UFPI manipulou os resultados da última assembleia, realizada dia 16/11, onde a maioria dos professores presentes (62,2%) foi favorável à greve. Do total de 337 professores, 201 votaram a favor da greve, 122 contra e 14 abstenções. Mesmo diante do resultado a greve não foi deflagrada na UFPI (?).
O que surpreendeu a categoria docente foi o golpe da diretoria da ADUFPI quando do resultado da votação no Campus de Teresina. Dos 151 professores presentes, conforme informação da mesa diretora e o registro das assinaturas no livro de presença, a mesma fez o cômputo de 208 presentes, com 189 votantes. Quando questionada pela plenária sobre diferença dos votantes, a mesa diretora desfez a assembleia e impediu qualquer manifestação contrária.
Mais uma vez o sentimento e a determinação da maioria dos professores de resistir e lutar contra a agenda regressiva foi atropelado pelos interesses privados da direção da ADUFPI, aliada à administração superior e a partidos políticos da base de apoio de governos, contrária a qualquer movimento que se contraponha aos interesses do governo TEMER.
Deve-se considerar que o segmento docente não encontra na direção da ADUFPI a firmeza de propósito, a determinação e o interesse de protagonizar a mobilização ou a greve deliberada pela base do nosso sindicato nacional, ANDES-SN. É importante ressaltar que são mais de 25 universidades em greve no País.
Ademais, a ADUFPI abandona os estudantes, os técnicos administrativos e os professores na luta contra a PEC 55, que na iminência de ser votada no Senado Federal, oportunizará o contrarreforma previdenciária e trabalhista, e os demais projetos de desmonte da universidade e do Estado brasileiro. O momento é grave e requer de cada um de nós o esforço coletivo para enfrentar essa difícil realidade.
Conclamamos os professores para somar-se aos técnicos administrativos, que estão em greve há cerca de dois meses, e aos estudantes desta IES, que estão em processo de mobilização há mais de um mês com ocupações de espaços físicos nos campi de Teresina, Bom Jesus, Picos e Parnaíba, no movimento unitário de greve na UFPI e no Brasil. Os docentes da UFPI devem dignar-se a ampliar essa luta ENTRANDO EM GREVE contra as investidas do atual governo, construindo um calendário conjunto de atividades e mobilização.
A LUTA É DE TODOS NÓS! GREVE NA UFPI JÁ!
Não tenha medo, MUDe!
Teresina, 21 de novembro de 2016.
Coletivo MUDeUFPI”
Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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