ENTREVISTA
Luiz Brandão
24 de janeiro de 2026 às 10:00
Em uma detalhada análise do cenário político piauiense e nacional, o sociólogo e um dos fundadores do PT no estado, professor Antônio José Medeiros, afirmou que o governador Rafael Fonteles (PT) é o franco favorito para conquistar a reeleição em outubro. A declaração foi dada em entrevista durante visita ao portal Piauí Hoje na última quinta-feira (22).
Medeiros explicou que a dinâmica eleitoral brasileira atual apresenta uma clara distinção. Enquanto o voto para cargos majoritários, como governador e presidente, é cada vez mais uma decisão individual do eleitor, influenciada por campanha, clima político e até fake news –, o voto para o Legislativo (senador, deputados federal e estadual) ainda carrega forte peso das lideranças políticas locais, como prefeitos e vereadores.
“Nesse aspecto, o Rafael é franco favorito, porque tem boa imagem junto à população e não enfrenta, até o momento, um nome forte da oposição”, avaliou o professor. Ele destacou, porém, que Fonteles não negligencia as articulações necessárias: “Ele se preocupa com os compromissos políticos, mantém diálogo com deputados estaduais e prefeitos e firma acordos de cooperação com os municípios. Tudo isso soma. Na minha avaliação, ele tem ampla chance de se reeleger”.

Além da análise eleitoral, Medeiros, que prepara seu segundo livro intitulado “A Estrela do PT: Brilhos e Sombras”, refletiu sobre os rumos do partido e os desafios do governo Lula. Ele contestou a ideia, difundida por parte da grande imprensa, de que o Brasil vive um “semi-parlamentarismo”.
“Não se trata de parlamentarismo… O que vemos aqui é a institucionalização do clientelismo”, afirmou. “O Centrão aprendeu a legalizar práticas clientelistas por meio das emendas parlamentares, especialmente do chamado orçamento secreto.”
Segundo o sociólogo, o terceiro governo Lula busca avançar em sua agenda, mas esbarra nos limites impostos por essas dinâmicas no Congresso. “Está ficando claro que o Lula quer avançar mais e o Centrão está amarrando”, analisou.
Medeiros não se declarou contra as emendas individuais em si, mas criticou dois “desvios muito grandes”: o volume desproporcional do recurso – que cresce a taxas muito superiores ao orçamento geral – e a falta de transparência nos contratos. “A emenda já vai [com] o pacote pronto: quem é a empresa que vai fazer? Qual ajuda que ela vai dar?”, questionou.
Para ele, é necessário reduzir o volume dessas emendas para que o governo tenha mais recursos para investimentos e crescimento econômico, além de assegurar total transparência no processo.
Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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