Teresinha
10 de dezembro de 2016 às 23:12
Em junho de 2015, os coxinhas e os e golpistas do Brasil foram ao orgasmo coletivo quando a mídia deles criou a versão de um " federal" segundo a qual os empreiteiros investigados na Lava Jato chamavam o ex-presidente Lula de Brahma.
Foi uma festa. Houve até campanha na internet para boicotar a cerveja que seria a preferida de Lula.
Mas é tudo um balela. Coisa de besta mesmo. De falta de informação. De gente que gosta de ter prazer com o órgão sexual dos outros. Lula não gosta de cerveja. O melhor presidente que o País já teve (segundo a Folha - vejam que não sou só eu quem acha) gosta mesmo é de uma boa pinga.
Esse gozo geral da direita verde amarela da CBF com o apelido que teria sido dado a Lula ocorreu no auge da tara dos lavajateiros - Moro, PFs, procuradores e PSDB - para criminalizar e desmoralizar o PT, Lula e Dilma e assim abrir caminho para o golpe que derrubou a presidente legitimamente eleita.
Mas como dizem os sábios, nada melhor que o girar da roda do mundo e da história; nada melhor do que um dia após o outro porque um dia é da caça e outro do caçador.
Pois bem. Agora os petistas, os defensores, admiradores e seguidores de Lula podem sorrir, andar de peito aberto e gozar dos que festejaram o apelido do ex-presidente, em relação aos outros, não é tão ruim assim. Não virou motivo de bullying como os que estão surgindo com os heróis do golpismo.
Primeiro apareceram apelidos como "O Chato" dado ao tucano Aécio Neves por conta da sua forma chata, pedante e agressiva como cobrava propina. Mais tarde surgiram o "Santo", dado a outro tucano, Geraldo Alckmin e "Padre" dado ao também tucano Jose Serra.
A lista de apelidos é grande. Mas agora o empreiteiros e delatores da Odebrecht passaram dos limites. Não se coloca apelidos tão pejorativos em parceiros, como fizeram com pelo menos tres parlamentares piauienses: o senador Ciro Noguiera (PP) e os deputados federais Paes Landim (PTB) e Heráclito Fortes (PSB) .
Ciro, na delação do lobista da Odebrecht, Claudio Melo Filho, ao Ministério Público Federal (MPF) aparece com tres apelidos: Piqui, Helicóptero e Cerrado.
"Piqui" seria uma referência ao tamanho avantajado da cabeça do senador; Helicóptero uma referência à ostentação do político e Cerrado à area de atuação de interesse dele e da Odebrecht no Piauí.
Duro mesmo é o apelido pejorativo que os caras da empreiteira colocram no deputado Paes Landim: Decrépto. Isso é sacanagem demais.
O apelido dado a Landim mostra que os caras não respeitam ninguém. Landim é um dos professores de direito mais brilhantes e um cidadão precioso da nossa cultura.
Landim é um ser iluminado. Tem vários mandatos e nasceu praticamente nas cavernas do "Berço do Homem Americano".
Não gente. Isso demais!!
Já o deputado Heráclito Fortes aparece como envolvido em esquema de corrupção comandado pela empreiteira com o apelido de "Boca Mole". Um desrespeito à dificuldade física do parlamentar de fechar a boca.
Tudo bem que Heráclito seja um político debochado - eu diria espirituoso - e que gosta até de criar apelidos para os outros em tom de brincadeira. Mas os caras debocharam demais dele. "Boca Mole" é um deboche muito grande. Isso é molecagem...
Eu tenho um grande amigo petista que chamo de "Boca Mole". Depois desse deboche dos caras da Odebrecht com Heráclito nunca mais chamo meu amigo de "Boca Mole". Eu juro.
Colocar apelidos nos outros não é aconselhável. Mas todo mundo que eu conheço já apelidou alguém e também teve ou tem apelido. Eu mesmo tenho e já coloquei apelido, inclusive no Heráclito.
Na minha casa tenho uma horta. Nela tem sapo bem gordo e grande. Adivinhem que apelido dei a ele?
VEJA A SEGUIR O LISTÃO DE APELIDOS DA ODEBRECHT
"Mineirinho" (Aécio Neves), "Santo" (Alckmin), "Vizinho" e "Careca" (Serra), “Angorá” (Moreira Franco), “Justiça” (Renan Calheiros), “Caju” (Romero Jucá), “Babel” (Geddel Vieira Lima), “Primo” (Eliseu Padilha), “Carangueijo” (Eduardo Cunha), “Ferrari” (Delcídio Amaral) , "Reitor" (Cristovam Buarque), "Tique Nervoso" (Henrique Alves), "Las Vegas" (Anderson Dornelles), "Pino e Gripado" (José Agripino Maia), "Corredor" (Duarte Nogueira), "Índio" (Eunício Oliveira), "Botafogo" (Rodrigo Maia), "Seguros" (Moreira Mendes), "Todo Feio" (Inaldo Leitão), "Tuca" (Arthur Maia), "Zoológico (João Leão), "Monte" (Mário Negromonte), "Educador" (Paulo Henrique Lustosa) "Laquê" (Lúcia Vânia), "Decrépito" (Paes Landim), "Boca Mole" (Heráclito Fortes), "Kimono" (Arthur Virgílio), "Missa" (José Carlos Aleluia), "Diplomata" (Hugo Napoleão), "Moleza" (Jutahy Magalhães), "Velhinho" (Francisco Dornelles), "Campari" (Gim Argello), "Cerrado e Piqui" (Ciro Nogueira), "Bitelo" (Lúcio Vieira Lima) e "Feia" (Lídice da Mata).
Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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