COMBATE AO CRIME
Luiz Brandão
17 de janeiro de 2026 às 07:25
A sofisticação dos grupos criminosos no Piauí tem encontrado uma resposta à altura: a adoção de novas tecnologias e estratégias de inteligência pela polícia estadual. Enquanto facções se organizam por meio de aplicativos de mensagem e utilizam ferramentas modernas para seus ilícitos, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) intensifica o uso de equipamentos avançados e cria estruturas especializadas para combater as novas modalidades de crime.
Nesta quinta-feira (15), a Polícia Civil do Piauí prendeu integrantes de uma organização criminosa que usava grupos no WhatsApp para comandar ações, incluindo homicídios. A facção atuava nos municípios de Porto e Nossa Senhora dos Remédios, no Norte do estado, e estava envolvida em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e assassinatos. A investigação revelou que o aplicativo era a ferramenta central para a coordenação dos crimes e a comunicação entre os membros.
Essa não é uma realidade isolada. O crime organizado no estado tem se modernizado, utilizando a internet e a tecnologia para:
· Estabelecer comunicação rápida e cifrada via grupos em aplicativos e redes sociais.
· Monitorar áreas e movimentações, inclusive com a possível utilização de chips de telefone, imagens de satélite ou drones.
· Comandar e acompanhar ações criminosas em tempo real.
· Orquestrar fugas e desmobilizações rápidas.
· Localizar e rastrear alvos para a prática de roubos e homicídios.

Além do uso operacional de drones, a principal estratégia da pasta tem sido a especialização. A criação de delegacias e núcleos focados em crimes específicos, como a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), é um pilar central. Segundo dados da SSP-PI, essa especialização tem rendido frutos. Em 2023, a DRCC foi responsável por diversas operações que desarticularam esquemas de fraudes bancárias, golpes aplicados pela internet e grupos de difusão de pornografia infantil.
O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, destaca a importância do investimento em inteligência e tecnologia. Ele aponta que a modernização do aparato policial é essencial para proteger a população de criminosos que também se atualizam. "O objetivo é criar um desequilíbrio a favor da lei, onde a capacidade de investigação e ação do Estado supere a dos grupos ilegais", diz o secretário.
A "guerra tecnológica" no Piauí ilustra um conflito atual em todo o país: a corrida entre a polícia e o crime pela dominação do ambiente digital e pelo uso das ferramentas mais avançadas. A aposta do estado em drones, inteligência cibernética e delegacias especializadas mostra um caminho para enfrentar os desafios da criminalidade no Brasil.

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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