CRIME DE ALTO PADRÃO
Luiz Brandão
12 de novembro de 2025 às 16:58
A geografia do crime organizado no Piauí está mudando, e a polícia está ajustando seu alvo. As operações mais recentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) desmistificam a imagem do líder faccional residente em favelas e mostram uma nova realidade: os criminosos de alto padrão agora residem em condomínios de luxo. A prova mais contundente são as investidas policiais que, somente em novembro, atingiram pelo menos três mansões no Condomínio Alphaville, um dos endereços mais caros e exclusivos da Zona Leste de Teresina.

Condomínios de luxo
As investidas da Polícia Civil do Piauí tem chegado aos condomínios de luxo, onde antes era improvável qualquer "baculejo" policial por mais evidências que moradores cometessem crimes. No dia 5 de novembro, por exemplo, a Operação Carbono Oculto 86 cumpriu mandados de busca e apreensão em duas mansões dentro do Alphaville. A investigação, que desvendou um braço financeiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) na região, mirava empresários suspeitos de lavagem de dinheiro por meio de uma complexa teia de empresas, incluindo postos de combustível adulterados.

Do morro ao condomínio fechado
Os endereços luxuosos das operações simbolizam uma guinada tática. É possível se encontrar polícias com a clara consciência de que os líderes de crimes das maiores facções não estão mais residindo nos bairros, vilas e favelas da periferiam e também não são só negros, desdentados e descalços. Como sempre, também tem gente que se diz "bonita, bem vestida e cheirosa" no comando do crime.
A nova realidade exige uma nova abordagem. A ofensiva da SSP-PI, batizada de "Pacto pela Ordem", tem como pilar a asfixia financeira das organizações criminosas. Dados oficiais mostram o impacto das 17 operações de grande porte realizadas em 2025, com mais de 180 líderes de facção e outros criminosos presos e bens bloqueados e apreendidos superando a marca de R$ 80 milhões. Entre os bens apreendidos estão aeronaves, veículos de luxo, apartamentos, mansões e propriedades rurais.
"O trabalho é rigoroso, constante e impiedoso. Estamos mostrando na prática que não há espaço para o crime organizado no Piauí. Nossa meta é continuar atacando suas finanças e estrutura, seja na periferia ou em condomínios de luxo, até sua completa desarticulação", afirmou o secretário Chico Lucas.

A Operação Carbono Oculto 86 no Piauí é um exemplo do combate a essa criminalidade de colarinho branco. A polícia mapeou mais de 70 empresas envolvidas em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, incluindo postos, construtoras, distribuidoras, transportadoras e até fintechs. O esquema utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e "laranjas" para movimentar milhões.

A Polícia do Piauí não deixou de combater o crime nas periferias, vilas e favelas, mas as operações no Alphaville sinalizam que, agora, o combate ao crime organizado do estado passou a ignorar códigos postais, mesmos endereços e a focar no rastro de dinheiro, que, cada vez mais, leva a portarias de condomínios de elite.

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há 40 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Também foi colunista do Jornal Meio Norte. Atualmente é diretor de jornalismo e colunista do portal www.piauihoje.com.
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