Saúde

TRATAMENTO ONCOLÓGICO

São Marcos diz que precisa de R$ 4,2 milhões extras mensais para atender novos pacientes

Direção afirma que recursos repassados pelo SUS são insuficientes e mantém suspensa a entrada de novos pacientes com câncer

Da Redação

06 de julho de 2026 às 15:21 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • O Hospital São Marcos, em Teresina, precisa de R$ 4,2 milhões mensais adicionais para atender novos pacientes oncológicos pelo SUS.
  • Atualmente, o hospital recebe R$ 5,1 milhões da União e da FMS, mais R$ 900 mil do Governo do Estado, totalizando R$ 6.250.977,67 conforme a FMS.
  • A direção afirma que os repasses são insuficientes devido ao subfinanciamento e aos altos custos.
  • O hospital realiza cerca de 40 mil atendimentos oncológicos por ano e é um dos maiores em oncologia no país.
  • Comparado a outros hospitais, o São Marcos recebe menos do que seria necessário, apenas 1,1 vez o valor da tabela do SUS.
  • Apesar da suspensão para novos pacientes, tratamentos em andamento continuam normalmente.
  • A FMS contesta os números apresentados pelo hospital e pede mais recursos federais e estaduais.

Hospital São Marcos, em Teresina (PI)
Hospital São Marcos, em Teresina (PI)

O Hospital São Marcos, em Teresina, informou em entrevista coletiva nesta segunda-feira (6) que precisa de um aporte adicional de R$ 4,2 milhões por mês para voltar a receber novos pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a direção da unidade, os recursos atualmente repassados pelos governos federal, estadual e municipal são insuficientes para cobrir os custos da assistência oncológica.

A informação foi repassada pelo diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, três dias após o anúncio da suspensão temporária da entrada de novos pacientes oncológicos. A medida, divulgada na última sexta-feira (3), foi adotada para garantir a continuidade do tratamento das pessoas que já estão em atendimento.

De acordo com o hospital, atualmente a instituição recebe cerca de R$ 5,1 milhões por mês da União e da Fundação Municipal de Saúde (FMS), além de R$ 900 mil mensais do Governo do Estado. Mesmo com esses repasses, a direção afirma que é necessário um reforço financeiro para equilibrar as contas e retomar o atendimento de novos casos.

O diretor Marcelo Martins afirmou que é um problema de recursos e não de gestão. Segundo ele, o hospital recebe menos que o restante do país. "O problema é o subfinanciamento e o excesso de custos", disse o diretor. 

Hospital diz que tabela do SUS é insuficiente

Durante a coletiva, o diretor destacou que o Hospital São Marcos existe há 73 anos, foi criado antes mesmo da implantação do SUS e atualmente gera 2.500 empregos diretos.

Segundo ele, a unidade é um prestador de serviços da rede pública de oncologia e depende da remuneração da tabela do SUS, considerada defasada.

O hospital informou que realiza quase 40 mil atendimentos oncológicos por ano, está entre os dez serviços com maior produção em oncologia do país e promove aproximadamente 4.900 sessões de quimioterapia por mês.

Comparação com outros hospitais

Para reforçar o argumento de subfinanciamento, a direção apresentou dados comparando os valores recebidos por hospitais oncológicos de outros estados.

Segundo o levantamento, o Hospital Oncológico Infantil do Pará recebe 4,5 vezes o valor da tabela do SUS por criança atendida, enquanto o AC Camargo Cancer Center, em São Paulo, recebe cerca de 3,9 vezes o valor-base.

Já o Hospital São Marcos afirma receber o equivalente a apenas 1,1 vez o valor da tabela do SUS, índice que, segundo a direção, está abaixo do praticado em instituições com perfil semelhante.

Atendimento aos pacientes atuais será mantido

Apesar da suspensão temporária para novos pacientes, a direção garantiu que os tratamentos já iniciados continuam sendo realizados normalmente.

Outro lado

O Portal Piauí Hoje entrou em contato com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), que divulgou uma nota de esclarecimento informando que repassa R$ 3,5 milhões por mês para garantir os atendimentos a pacientes com câncer no Hospital São Marcos. A FMS também contestou os números apresentados pelo hospital na coletiva de imprensa. 

Segundo a fundação, o custeio mensal destinado ao hospital é de R$ 6.250.977,67, sendo R$ 3,5 milhões do Município de Teresina, R$ 1.589.158,02 da União e R$ 900 mil do Governo do Estado. De acordo com a FMS, o município responde por mais de 60% do financiamento do serviço.

Ainda conforme a nota, a FMS defende que o Ministério da Saúde amplie o teto da Média e Alta Complexidade (MAC) destinado a Teresina e crie um incentivo específico para a oncologia, como ocorre em outros estados. A fundação também cobra um aumento da participação financeira do Governo do Estado.

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