TRATAMENTO ONCOLÓGICO
Da Redação
06 de julho de 2026 às 15:21 ▪ Atualizado há 1 hora
O Hospital São Marcos, em Teresina, informou em entrevista coletiva nesta segunda-feira (6) que precisa de um aporte adicional de R$ 4,2 milhões por mês para voltar a receber novos pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a direção da unidade, os recursos atualmente repassados pelos governos federal, estadual e municipal são insuficientes para cobrir os custos da assistência oncológica.
A informação foi repassada pelo diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, três dias após o anúncio da suspensão temporária da entrada de novos pacientes oncológicos. A medida, divulgada na última sexta-feira (3), foi adotada para garantir a continuidade do tratamento das pessoas que já estão em atendimento.
De acordo com o hospital, atualmente a instituição recebe cerca de R$ 5,1 milhões por mês da União e da Fundação Municipal de Saúde (FMS), além de R$ 900 mil mensais do Governo do Estado. Mesmo com esses repasses, a direção afirma que é necessário um reforço financeiro para equilibrar as contas e retomar o atendimento de novos casos.
O diretor Marcelo Martins afirmou que é um problema de recursos e não de gestão. Segundo ele, o hospital recebe menos que o restante do país. "O problema é o subfinanciamento e o excesso de custos", disse o diretor.
Hospital diz que tabela do SUS é insuficiente
Durante a coletiva, o diretor destacou que o Hospital São Marcos existe há 73 anos, foi criado antes mesmo da implantação do SUS e atualmente gera 2.500 empregos diretos.
Segundo ele, a unidade é um prestador de serviços da rede pública de oncologia e depende da remuneração da tabela do SUS, considerada defasada.
O hospital informou que realiza quase 40 mil atendimentos oncológicos por ano, está entre os dez serviços com maior produção em oncologia do país e promove aproximadamente 4.900 sessões de quimioterapia por mês.
Comparação com outros hospitais
Para reforçar o argumento de subfinanciamento, a direção apresentou dados comparando os valores recebidos por hospitais oncológicos de outros estados.
Segundo o levantamento, o Hospital Oncológico Infantil do Pará recebe 4,5 vezes o valor da tabela do SUS por criança atendida, enquanto o AC Camargo Cancer Center, em São Paulo, recebe cerca de 3,9 vezes o valor-base.
Já o Hospital São Marcos afirma receber o equivalente a apenas 1,1 vez o valor da tabela do SUS, índice que, segundo a direção, está abaixo do praticado em instituições com perfil semelhante.
Atendimento aos pacientes atuais será mantido
Apesar da suspensão temporária para novos pacientes, a direção garantiu que os tratamentos já iniciados continuam sendo realizados normalmente.
Outro lado
O Portal Piauí Hoje entrou em contato com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), que divulgou uma nota de esclarecimento informando que repassa R$ 3,5 milhões por mês para garantir os atendimentos a pacientes com câncer no Hospital São Marcos. A FMS também contestou os números apresentados pelo hospital na coletiva de imprensa.
Segundo a fundação, o custeio mensal destinado ao hospital é de R$ 6.250.977,67, sendo R$ 3,5 milhões do Município de Teresina, R$ 1.589.158,02 da União e R$ 900 mil do Governo do Estado. De acordo com a FMS, o município responde por mais de 60% do financiamento do serviço.
Ainda conforme a nota, a FMS defende que o Ministério da Saúde amplie o teto da Média e Alta Complexidade (MAC) destinado a Teresina e crie um incentivo específico para a oncologia, como ocorre em outros estados. A fundação também cobra um aumento da participação financeira do Governo do Estado.