Teresinha
06 de agosto de 2016 às 12:08
O que não começou bem não poderia terminar bem. Quando o dono do microfone se referia ao fogo olímpico como “chama sagrada”; a cerimonia de abertura dos jogos do Rio nem tinha começado e narrador reclamando do “protocolo”, por conta do esquecimento do poder interino, inadivertidamente ofuscado pelo discurso longo do cartola trêmulo, tínhamos certeza de que o pior ainda estava por vir. E veio.
O domingão saiu da telinha para desembarcar no Maracanã, com direito a esquenta, Pagodinho e rapper na laje, fank e patricinha, jorges e baianos. “Todo mundo é carioca”, sapecou o cara do comitê, à beira de um ataque de nervos.
As Olimpíadas nem tinham sido abertas ainda e já havia baixas. Começou pelo “rei”, que não teve perna para ir acender a fogueira. E outras foram acontecendo. E não foi doping. Um atleta do box enfiou os pés pelas mãos e atentou contra a virtude de duas trabalhadoras, que arrumaram um bico de camareira da Vila Olímpica. O pervertido foi trocar socos em Bangu III.
Nenhuma ocorrência, porém, foi tão ou mais constrangedora que aquelas duas letras bordadas no lado direito dos ternos tristes da delegação dona da casa. Mais de 200 países, orgulhosos, envergando seus trajes de gala, a indumentária típica, a melhor beca para um momento eterno, e nós lá com aquela logo horrorosa estampada na lapela. Vaia para elas, que elas merecem! Vaias para ele, que não tem voto! (e nem direito a holofote).
Salvou a noite o Vanderlei Cordeiro de Lima, um cidadão que correu atrás, ralou pra cacete, para chegar aonde chegou. Um brasileiro, como nós, que todos os dias enfrentamos todos os obstáculos – assalto, assédio, corrupção – para conquistarmos nossas medalhas de ouro, prata, bronze, cobre, lata...com dignidade.
Fonte: Paulo Pincel
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