Teresinha
13 de outubro de 2016 às 18:10
O deputado federal Silas Freire (PI) vai responder a processo disciplinar na Comissão de Ética do Partido da República (PR) e poderá sofrer retaliação por se abster, na segunda-feira (10), durante a votação da PEC 241, que congela os investimentos públicos no país pelos próximos 20 anos. Silas chama de “maldita” a proposta para atender aos interesses de banqueiros, “para pagar os agiotas do Brasil”. Além de Silas, também vão ser submetidas à comissão, as deputadas federais Clarissa Garotinho (RJ) e Zenaide Maia (RN), que votaram “não” à PEC.
Por suas posições contrárias à Proposta de Emenda Constitucional de Michel Temer, Silas Freire, Clarissa Garotinho (RJ) e Zenaide Maia (RN) perderam suas funções de representação partidária na Câmara, inclusive nas Comissões Permanentes da Casa.
Silas Freire era membro titular da Comissão de Viação e Transportes e suplente nas comissões de Segurança Pública e de Seguridade Social e Família.
“Por melhor que seja a intenção do governo, ela (PEC) não está adequada ao país. Tivemos um problema muito sério no nosso partido, que fechou questão e prometendo levar à comissão de ética quem ficasse contra essa decisão. Mas nós achamos pudente não deixar a nossa digital nessa PEC. São 20 anos com risco de não abrirmos uma sala de aula e nem qualificar professores. Decidir me abster. Não confrontar com o partido”, explicou.
Silas Freire lamentou a decisão do PR em fechar questão sobre a PEC 241 e entende que o governo vai ter que provar o contrário, de que ele estava errado. “Tentamos retirar a saúde a educação e a ação social dessa maldita PEC, mas não conseguimos. Devo ser submetido à comissão de ética do partido, mas já me expliquei. Espero ser entendido”, disse.
Dos 40 deputados, somente três votaram contra a proposta apresentada pelo presidente Temer. “Essa PEC pode ser aprovada, mas sem o meu voto. O Brasil vai perder muito com isso. Essa é uma PEC tira os olhos da educação, da saúde, da assistência social. É uma PEC para banqueiros, para negociar juros para banqueiros, para pagar os agiotas do Brasil. Não foi uma vitória, mas uma derrota. Nós ainda vamos tentar reverter isso, mas o governo tem um rolo compressor”.
Como votou a bancada do PR na Câmara:
Adelson Barreto (SE) Sim
Aelton Freitas (MG) Sim
Alexandre Valle (RJ) Sim
Alfredo Nascimento (AM) Sim
Anderson Ferreira (PE) Sim
Bilac Pinto (MG) Sim
Brunny (MG) Sim
Cabo Sabino (CE) Sim
Cajar Nardes (RS) Sim
Capitão Augusto (SP) Sim
Clarissa Garotinho (RJ) Não
Davi Alves Silva Júnior (MA) Sim
Delegado Edson Moreira (MG) Sim
Delegado Waldir (GO) Sim
Dr. João (RJ) Sim
Edio Lopes (RR) Sim
Giacobo (PR) Sim
Giovani Cherini (RS) Sim
Gorete Pereira (CE) Sim
João Carlos Bacelar (BA) Sim
Jorginho Mello (SC) Sim
José Carlos Araújo (BA) Sim
José Rocha (BA) Sim
Laerte Bessa (DF) Sim
Lúcio Vale (PA) Sim
Luiz Cláudio (RO) Sim
Luiz Nishimori (PR) Sim
Magda Mofatto (GO) Sim
Marcelo Álvaro Antônio (MG) Sim
Marcio Alvino (SP) Sim
Milton Monti (SP) Sim
Paulo Feijó (RJ) Sim
Paulo Freire (SP) Sim
Remídio Monai (RR) Sim
Silas Freire (PI) Abstenção
Tiririca (SP) Sim
Vicentinho Júnior (TO) Sim
Vinicius Gurgel (AP) Sim
Wellington Roberto (PB) Sim
Zenaide Maia (RN) Não
Fonte: Paulo Pincel
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