Política

Servidor da Câmara diz que repassava parte do salário para Iracema Portella

O servidor contou à PF que Iracema o ofereceu o cargo e em troca ela ficaria com parte do salário

Teresinha

27 de junho de 2018 às 15:06


Iracema Portella
Iracema Portella

Rogério Oldacir Rodrigues Cavalheiro, servidor comissionado do gabinete do deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) afirmou em depoimento à Polícia Federal que repassava parte do salário recebido na Câmara Legislativa à deputada federal Iracema Portella (PP-PI). 

O homem disse que repasse tinha sido acertado "desde a oferta do cargo pela deputada Iracema". Pelo combinado, ele ficava com R$ 4 mil mensais e entregava todo o restante à parlamentar. 


Rogério disse ainda que "desconhecia qualquer ilegalidade nesta prática" e que aceitou a oferta porque precisava de um plano de saúde para o tratamento da mãe, que tem câncer. 

À TV Globo, a assessoria de Cristiano Araújo confirmou que o funcionário está lotado no gabinete, mas negou que o deputado tenha conhecimento dos repasses salariais. A equipe disse, ainda, que Cristiano Araújo "sequer tem relações políticas" com Iracema. 

Envelope apreendido 

O suposto repasse veio à tona durante busca e apreensão na casa do senador e presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI), marido de Iracema Portella. O mandado foi cumprido em abril no âmbito da operação Metanoia, um desdobramento da Lava Jato. 

No local, policiais federais encontraram um envelope com R$ 8,2 mil em dinheiro, envoltos em dois contracheques de Rogério Oldacir. O embrulho trazia ainda a inscrição: "entregar nas mãos Dep.". 

A equipe da PF foi, então, à casa do servidor comissionado. Em conversa no local, Rogério Oldacir afirmou que conheceu Iracema Portella e o marido, Ciro Nogueira (PP-PI) "há cerca de 10 anos, através de seu companheiro". 

O repasse da parcela salarial, segundo ele, foi combinado antes mesmo da posse no cargo. As transferências eram feitas "em espécie ao assessor 'Afonso', entregando-lhe pessoalmente". O documento obtido pela TV Globo não detalha quem seria o assessor citado. 

Salário alto 

Ainda de acordo com a PF, os contracheques que estavam no envelope apreendido mostravam valores líquidos de R$ 11.827,96 e R$ 3.804,15 – "como se boa parte do salário de servidor tivesse sido devolvida a terceiros, no caso, à deputada Iracema Portella", diz a corporação. 

Na entrevista à Polícia Federal, o servidor disse que recebia, por mês, salário líquido de cerca de R$ 11,7 mil. Em junho de 2017, por exemplo, o vencimento líquido com benefícios atingiu a cifra de R$ 17.070,64. 

Em 14 de maio deste ano, Rogério foi exonerado do cargo e, no mesmo ato, nomeado para uma função equivalente no gabinete de Cristiano Araújo. Essa mudança ocorreu quando a PF já tinha apreendido o envelope na casa de Iracema Portella. 

 
 

Fonte: G1/Distrito Federal



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction