THE INTERCEPT
Paulo Pincel
04 de agosto de 2019 às 10:03
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não prestou contas de valores recebidos por palestra dada em Novo Hamburgo (RS) quando era o juiz responsável pela Operação Lava Jato no Paraná. Reportagem do jornal Folha de São Paulo e do site The Intercept, publicada nesta domingo (4), aponta que ele mencionou o evento em conversa com o procurador Deltan Dallagnol. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, Moro ganhou pela palestra um pagamento de RS 10 mil a R$ 15 mil.
Em diálogo no aplicativo de mensagens Telegram, Moro disse ao chefe da Força Tarefa da Lava Jato no MPF (Ministério Público Federal) que o grupo Sinos, empresa gaúcha, queria fazer um convite ao procurador.
"Ano passado dei uma palestra lá para eles, bem organizada e bem paga", afirmou Moro. Deltan respondeu: "passa sim!".
Resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) torna obrigatório a todos os juízes que encaminhem informações sobre eventos e palestras. Os magistrados têm 30 dias para dias para prestar contas e precisam declarar data, assunto, local e entidade responsável pelo contrato.
Em resposta à Folha, Moro afirmou que declarou os dados de sua palestra não foram informados por "puro lapso" e que os valores recebidos foram doados a uma entidade beneficente.
No dia 13 de julho, diálogos divulgados pelo site The Intercept e pelo jornal Folha de São Paulo indicaram que Deltan tentou tirar vantagens financeiras da fama adquirida enquanto coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato.
Segundo as mensagens, ele discutiu com um colega de profissão a criação de uma empresa, em que não apareceria como sócio, para organizar eventos e palestras e, assim, lucrar com a visibilidade e os contatos obtidos através da Lava Jato.
Fonte: Folhapress/Congresso em Foco
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