Política

FINANÇAS

MPF pede investigação sobre influência dos bancos na definição das taxas do Copom

Lucas Furtado solicita investigação sobre possível influência indevida de instituições financeiras

Elaine

17 de junho de 2024 às 11:42


Roberto Campos Neto
Roberto Campos Neto

O subprocurador-geral Lucas Furtado, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), levantou uma nova discussão sobre a transparência e integridade nos processos de definição de políticas monetárias no Brasil. Em uma representação formal datada desta sexta-feira (14), Furtado solicitou ao TCU uma investigação sobre a possível influência indevida de bancos e instituições financeiras na determinação de índices econômicos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, conforme reportado pela Folha de S. Paulo.

A principal preocupação de Furtado é com o Boletim Focus, uma publicação semanal do Banco Central que reúne as expectativas de mercado para diversos indicadores econômicos, como a taxa básica de juros (Selic), câmbio, Produto Interno Bruto (PIB) e inflação. Furtado aponta um possível risco moral devido ao impacto dessas previsões nas decisões do Copom.

"Se a taxa de juros básica que conduzirá as relações financeiras no país é definida levando em consideração previsões dos próprios agentes que irão reger tais relações, há uma possibilidade de manipulação de índices por essas instituições," argumenta Furtado em sua representação.

A suspeita de que os bancos possam influenciar a política monetária em benefício próprio levanta sérias questões sobre a integridade do processo de formulação de políticas econômicas no Brasil. Furtado sugere que a influência do Boletim Focus poderia permitir a manipulação das expectativas e decisões econômicas, favorecendo instituições financeiras que lucrariam com operações baseadas nesses índices.

"Vejo que estamos diante de fatos que podem comprovar que a definição da taxa básica de juros em níveis estratosféricos não tem o efeito de controlar a inflação, conforme alega o Banco Central, mas sim o de prejudicar a economia, enriquecendo alguns aplicadores do mercado," alerta Furtado. Ele sugere que as altas taxas de juros, ao invés de conter a inflação, podem estar prejudicando a economia e beneficiando apenas alguns setores do mercado financeiro.

Além de solicitar a investigação sobre a influência dos bancos nas decisões do Copom, Furtado pede que o TCU passe a monitorar a atuação dos membros do Copom após o término de seus mandatos. Ele sugere que isso vá além do período de quarentena atualmente exigido, com o objetivo de "evitar possíveis danos à política monetária e o enriquecimento desses agentes em decorrência do exercício de suas funções públicas" no Banco Central.

O Banco Central foi procurado para comentar as alegações e a representação de Furtado, mas optou por não se manifestar.

Fonte: Brasil247



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