Política

Escândalo

Mensagens de Moro a Dallagnol põem em dúvida equidistância da Justiça, condena ministro do STF

Agora, as consequências, eu não sei. Temos que aguardar", acrescentou o ministro Marco Aurélio Mello

Paulo Pincel

10 de junho de 2019 às 13:00


Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal
Ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal

A troca de mensagens entre o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, põe em xeque a "equidistância da Justiça, que tem que ser absoluta", advertiu o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em ração ao vazamento de conversa entre os dois.


"Agora, as consequências, eu não sei. Temos que aguardar", acrescentou o ministro Marco Aurélio. "Isso [a relação do juiz com o procurador] tem que ser tratado no processo, com ampla publicidade. De forma pública, com absoluta transparência", defendeu.


Moro sugeriu a Dallagnol MPF (Ministério Público Federal) trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Moro, em nota, negou que haja no conteúdo das converas "qualquer anormalidade ou direcionamento da sua atuação como juiz". Os procuradores da Lava Jato divulgaram nota denuncianmdo o "ataque criminoso à Lava Jato".


Entre as mensagens reveladas estão conversas de procuradores do MPF reagindo indignados à decisão do STF de autorizar a entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva ao jornal Folha de São Paulo antes do primeiro turno da eleição de 2018.  


Segundo o Intercept, o procurador Athayde Ribeiro Costa sugeriu na época que a Polícia Federal adotasse uma manobra para adiar a entrevista para depois da eleição, sem deixar de cumprir a decisão da Justiça.


A procuradora Laura Tessler fez referência aos ministros do Supremo: "Que piada!!! Revoltante!!! Lá vai o cara fazer palanque na cadeia. Um verdadeiro circo. E depois de Mônica Bergamo [colunista da Folha] pela isonomia, devem vir tantos outros jornalistas… e a gente aqui fica só fazendo papel de palhaço com um Supremo desse…", disse.

"Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!", disparou a procuradora Isabel Groba.

Tessler respodeu:  "Sei lá…mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger o Haddad",


"Podemos estar diante do maior escândalo institucional da história da República. Muitos seriam presos, processos teriam que ser anulados e uma grande farsa seria revelada ao mundo. Vamos acompanhar com toda cautela, mas não podemo nos deter. Que se apure toda a verdade!", publicou Fernando Haddad, candidato do PT a presidência da República em 2018, em postagem na sua página em rede social.

Fonte: Folha de São Paulo



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