Política

GENOCÍDIO

Lula exige participação da Palestina para integrar conselho de paz proposto por Trump

Conselho internacional sugerido por Trump testa limites da política externa brasileira

Isabel Fonseca

06 de fevereiro de 2026 às 14:46


Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Presidente do Estado da Palestina e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Presidente do Estado da Palestina e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil só vai participar do conselho da paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso haja representação direta da Palestina. Segundo Lula, a iniciativa precisa ter foco exclusivo na Faixa de Gaza e sem a presença palestina no espaço de decisão, o país não integrará o grupo.

 O presidente ainda criticou os termos apresentados para a reconstrução do território. As declarações foram dadas em entrevista exclusiva ao UOL nesta quinta-feira (5).

O Brasil tem todo o interesse de participar. Agora, é muito estranho que você crie um conselho e que não tenha um palestino na direção. É muito estranho que a proposta que foi apresentada de reconstrução de Gaza seja mais um resort do que a reconstrução de Gaza. Eu quero saber quem é que vai reconstruir as casas, os hospitais, as padarias, os bairros que foram detonados. Porque a vida de 75 mil de mulheres e crianças não retornará mais.

Durante a entrevista, o presidente revelou que conversou diretamente com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e reafirmou a disposição do Brasil em participar do conselho, desde que os palestinos tenham representação efetiva no processo decisório.

Sobre a relação com os Estados Unidos, o presidente brasileiro lembrou que tem uma visita de Estado marcada para a primeira semana de março, em Washington, quando pretende conversar “olho no olho” com Trump. A viagem ocorrerá após compromissos oficiais na Índia e na Coreia do Sul.

A sinalização do governo brasileiro reforça a defesa de uma solução diplomática baseada na inclusão da parte envolvida no conflito e no reconhecimento da Palestina como ator central em qualquer iniciativa de paz no Oriente Médio.

Fonte: UOL



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