Política

COVID-19

Governo faz campanha institucional contra medida de combate ao coronavírus

Um vídeo da campanha, cujo valor não foi divulgado, foi compartilhado na página do senador Flávio Bolsonaro

Teresinha

27 de março de 2020 às 08:08


Coronavírus
Coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro decidiu institucionalizar sua campanha contra o isolamento social, fator mais eficaz contra a propagação do coronavírus, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O governo federal lançou uma campanha publicitária chamada "O Brasil não pode parar" para defender que apenas idosos e pessoas com doenças pré-existentes fiquem em casa. Mesmo contrariando as recomendações das principais autoridades mundiais no assunto, Bolsonaro alega que o fim do confinamento é necessário para a retomada econômica.

Um vídeo da campanha, cujo valor não foi divulgado, foi compartilhado na página do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho do presidente, no Instagram:

"No mundo todo, são raros os casos de vítimas fatais do coronavírus entre jovens e adultos", diz a campanha. "A quase totalidade dos óbitos se deu com idosos. Portanto, é preciso proteger estas pessoas e todos os integrantes dos grupos de risco, com todo cuidado, carinho e respeito. Para estes, o isolamento. Para todos os demais, distanciamento, atenção redobrada e muita responsabilidade. Vamos, com cuidado e consciência, voltar à normalidade", diz o texto. Embora em número menor, há casos de crianças mortas pelo vírus. Na Itália, que já soma mais de 8 mil mortos, cerca de 20% das pessoas que faleceram têm menos de 60 anos.

Bolsonaro tem comparado a covid-19 a uma "gripezinha", um "resfriadinho", o que o tem isolado politicamente. Além da reação do Congresso, governadores de todo o país se manifestaram contra a posição do presidente e reagiram à tentativa dele de jogar no colo deles a responsabilidade pelo combate à doença e pelos impactos econômicos decorrentes da quarentena. Segundo ele, o povo está sendo "enganado" sobre a propagação do coronavírus.

O senador Flávio Bolsonaro, investigado pela suspeita de se apropriar de dinheiro de assessores quando era deputado estadual, lançou em suas redes sociais a hashtag com o nome da campanha (#BrasilNaoPodeParar). A hashtag também foi publicada na página da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), cujo titular, Fabio Wajngarten, foi o infectado em viagem da comitiva presidencial aos Estados Unidos.

Em apenas um dia, apareceram 482 novos casos de covid-19 nos números oficiais do Ministério da Saúde. Eram 2.433 casos ontem e nesta quinta (26) são 2.915. Isso corresponde a um aumento de 20% no total de casos em 24 horas, o que é uma taxa muito alta. A pandemia chegou a todos os estados brasileiros.

A Europa e os Estados Unidos resolveram fazer o chamado “isolamento vertical”, ancorados na ilusão de que é possível manter a economia funcionando quase normalmente e mantendo em quarentena as populações mais vulneráveis: idosos, hipertensos e portadores de doenças respiratórias. Em algum momento essas pessoas, de fato mais expostas à síndrome, se encontraram com as outras, e cresceu a incidência de covid-19 mesmo em faixas etárias inferiores.

Levantamento da John Hopkins, divulgado pelo G1, mostra que a China conta com 81.782 casos confirmados, enquanto a Itália tem 80.589.

Fonte: Congresso em Foco



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction