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POLÍTICAS PÚBLICAS

Governo estimula criação de secretarias para as mulheres nas cidades

Número de secretarias passou de 258 em 2023 para 1.045 em 2024

Sol

13 de fevereiro de 2025 às 09:00


Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, que ocorre em Brasília até esta quinta-feira (13)
Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, que ocorre em Brasília até esta quinta-feira (13)

O Ministério das Mulheres lançou, durante o Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília, o Guia para Criação e Implementação de Secretarias de Políticas para as Mulheres, que ficará disponível no site do ministério. A ideia do guia é incentivar os gestores municipais a criarem estruturas que promovam políticas públicas para garantir mais igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Segundo o ministério, o número de secretarias voltadas para as mulheres aumentou bastante. Em 2024, há 1.045 secretarias desse tipo no Brasil, quatro vezes mais do que o número de 2023, que era 258. A criação dessas secretarias deve ser uma das prioridades das 728 prefeitas que assumiram seus cargos em 1º de janeiro.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, destaca dois desafios principais. O primeiro é criar essas secretarias, e o segundo, mais difícil, é garantir recursos financeiros para ações de combate à violência contra as mulheres e para iniciativas que gerem trabalho, emprego e renda.

O conceito de criar secretarias para as mulheres surgiu em 2005, quando Moema Gramacho (PT-BA) se tornou a primeira prefeita a criar essa estrutura em Lauro de Freitas (BA). Para Moema, é essencial haver políticas públicas que ofereçam independência e autonomia às mulheres, especialmente em áreas como a geração de emprego e renda.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 63% dos feminicídios cometidos em 2023 tiveram como autores os parceiros íntimos das vítimas, e 21,2% eram ex-parceiros. Moema lembra que, apesar de a violência física contra a mulher ter diminuído desde a criação da Lei Maria da Penha em 2006, outras formas de violência continuam a existir.

Lucijane Freires Alencar, prefeita de Mozarlândia (GO), também enfrentou discriminação durante sua campanha eleitoral, com pessoas questionando a competência das mulheres para a política. Ela acredita que o mundo precisa de mais mulheres na política, pois trazem uma visão diferenciada e mais empatia. Lucijane encoraja outras mulheres a se candidatarem, dizendo: "Somos capazes e competentes."

Apesar de diferenças políticas e ideológicas, mulheres como Lucijane e Moema compartilham ideias e iniciativas. Elas fazem parte do Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), criado em 2017 para apoiar prefeitas e fortalecer a participação política das mulheres.

Mesmo sendo maioria na população e no eleitorado, as mulheres ainda são minoria nos cargos políticos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas eleições municipais, as mulheres eleitas como prefeitas representam apenas 13% das cidades, e as vereadoras somam 10.537, quase cinco vezes menos do que os homens eleitos. Somente duas mulheres foram eleitas prefeitas de capitais: Emília Corrêa (Aracaju-SE) e Adriane Lopes (Campo Grande-MS).

Por fim, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) registrou que, das 2.311 candidatas às prefeituras em 2024, apenas 15% eram mulheres, refletindo a contínua sub-representação feminina na política.

Fonte: Agência Brasil



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