Política

JULGAMENTO

Gonet pede condenação máxima de Bolsonaro e relembra falas de ataques as instituições

"Quero dizer aos canalhas, que não serei preso", disse o ex-presidente em ato cívico

Malu Barreto

02 de setembro de 2025 às 16:43


Paulo Gonet, procurador-geral, durante o julgamento da trama golpista
Paulo Gonet, procurador-geral, durante o julgamento da trama golpista

Ao pedir a condenação máxima do ex-presidente Jair Bolsonaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsável pela acusação na trama golpista, relembrou nesta terça-feira (2/9), durante sua manifestação no julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), algumas falas do ex-presidente que atacaram as instituições democráticas e ministros da Corte.

O procurador destacou discursos de Bolsonaro durante as comemorações de 7 de Setembro de 2021, quando o ex-mandatário discursou para milhares de apoiadores. “Aproveitando do prestígio da data cívica, o então presidente tornou a insuflar a militância contra os ministros do STF e do TSE, em mais de uma etapa do plano de subversão da ordem constitucional. Em seu pronunciamento na Avenida Paulista, voltou a atacar o sistema eletrônico de votação, qualificando-o como farsa”, pontuou.

Na ocasião, Bolsonaro atacou o Tribunal Superior Eleitoral e ministros do STF em frases como:

‘Não poderia participar de uma farsa dessa patrocinada pelo TSE’, ‘Só saio preso, morto ou com vitória, quero dizer aos canalhas que não serei preso’.

Para a PGR, as frases não podem ser vistas como um fato isolado, mas sim como projeto autoritário de Bolsonaro.

“Necessidade do caos”, diz PGR

Gonet defendeu a condenação de Bolsonaro (PL) e de outras sete pessoas por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. “Havia um plano sistemático de ataque. O autogolpe também é golpe punível, consistindo em desvio funcional gravíssimo, já que se origina dentro das instituições e opera contra elas”, afirmou.

O procurador-geral da República lembra que, antes da invasão das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, também atearam fogo em automóveis, e um caminhão com combustível se aproximou do aeroporto de Brasília "destinado à explosão". 

"A instauração do caos era explicitamente considerada etapa necessária do desenrolar do golpe para que se atraísse a adesão dos comandantes do Exército e da Aeronáutica", disse Gonet. 

Fonte: Metropoles/Uol



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