O senador Elmano Ferrer (PTB) informou ontem (04) que vem sofrendo pressão e assedio para mudar de posição e votar pelo afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff (PR). A presidente está afastada temporariamente, mas o pedido de impeachment será apreciado no plenário do Senado no final de agosto. Na ocasião, são necessários 54 votos a favor do afastamento da presidente, para ela ter o mandato cassado.
“A discussão está uma verdadeira guerra. Eu vou manter a coerência. Meu voto é livre e aberto, mas todos estão sendo pressionados. É um lado querendo me levar pro outro. Outro querendo me tirar do outro. Essa pressão é sobre todos os parlamentares. Mas vou manter a coerência’, diz o senador piauiense. Elmano criticou o fato de alguns colegas parlamentares estarem aproveitando o momento para fazer pedidos de ordem política local e benefí- cios pessoais.
“Alguns têm comportamentos provincianos. Nesse momento de crise temos que aproveitar para tirar a oportunidade de melhorar o país. A Lava Jato é um fator importante e pode mudar o futuro de muitas coisas”, pontua o senador. Elmano acrescentou que alguns parlamentares demonstram apreensão por conta das investigações e que todos devem buscar saídas políticas e democráticas para o país.
O parlamentar comentou ainda que buscar a saída é complexo porque o país conta com quase 40 partidos políticos, que fazem exigências dos governantes e impedem o andamento dos trabalhos políticos como deveriam ocorrer. “São siglas sem ideologia, sem princípios, que exigem muito do executivo e impede que o governante consiga priorizar pontos mais importantes”, diz Elmano Ferrer.
Após repercussão, senador diz que vai acabar com ‘super gabinete’
O senador Elmano Férrer (PTB-PI) disse nesta segunda-feira (04) que vai reduzir o número de assessores em seu gabinete. A decisão ocorre uma semana após o site Congresso em Foco divulgar que o senador emprega 80 pessoas com dinheiro público, superando o limite de até 55 cargos de confiança que podem ser contratados por cada senador, de acordo com regras do Senado.
“Eu sucedi o senador João Vicente Claudino (PTB-PI) e mantive o mesmo gabinete em Brasília e aqui. Não tirei ninguém. Mas não é do JVC, é do partido. Mas já fiz os levantamentos necessários e farei os ajustes necessários. Quero reduzir o máximo que puder, mas não sei quanto ainda”, disse o senador.
Elmano Férrer ressalta, no entanto, que fez tudo dentro da lei. Ele agradeceu ainda as críticas da imprensa sobre o seu gabinete. “Foi até salutar isso pra mim. Eu gosto muito de ouvir a imprensa”, diz ele. Dos 80 assessores de Elmano, 27 estão em Brasília e 53 no Piauí.
De acordo com o site Congresso em Foco, ao todo, no Senado, são mais de 3 mil funcionários lotados em gabinetes ou escritórios de representação, média de 37 por parlamentar. O campeão de assessores é o senador Hélio José (PMDB-DF), com 86 pessoas, cujos salários variam de R$ 1,8 mil a R$ 18,9 mil.
Pelas regras da Casa, cada senador pode manter até 55 cargos de confiança, desde que a remuneração total não ultrapasse os R$ 70 mil mensais. Ele pode escolher: distribuir salários mais elevados a poucos servidores, ou contratar muitos assessores com menor remuneração.
Na prática, porém, alguns parlamentares extrapolam os limites impostos pelo regimento interno e inflam suas equipes com base em brechas que permitem novas contratações àqueles que ocupam cargos na Mesa Diretora ou fazem parte de blocos ou lideranças partidárias. Há casos, como o de Hélio José, em que a autorização é dada pela presidência do Senado.
Fonte: João Magalhães e Robert Pedrosa (Jornal O DIA)