PRONUNCIAMENTO
Valciãn Calixto
24 de abril de 2020 às 17:28
Teve início às 17h desta sexta-feira (24) o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro sobre o pedido de demissão de Sérgio Moro. O chefe do Governo Federal contestou diversas falas do ex-ministro durante a despedida da pasta. Bolsonaro disse que Moro pediu para ser indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que após a indicação, o presidente poderia trocar o comando da Polícia Federal (PF).
Bolsonaro também alegou que Moro não teve nenhuma participação em sua campanha em 2018, afirmou que Moro se esforçou mais para identificar o autor do crime envolvendo a vereadora Marielle Franco que para descobrir quem mandou matá-lo durante a campanha.
"[Moro] não esteve comigo durante a campanha, não sei em quem ele votou no primeiro turno e nem quero saber. Obviamente, repito, ele não participou da minha campanha. Como o senhor disse na sua coletiva que tem uma biografia a zelar, eu digo que tenho um Brasil a zelar. Não tenho que pedir autorização pra ninguém pra trocar um diretor ou qualquer outro que esteja na piramide do poder hierárquico do Executivo. A PF de Sérgio Moro mais se preocupou com Marielle [Franco] do que com quem mandou matar Bolsonaro. Entre meu caso e o de Marielle, o meu está muito menos difícil de solucionar, afinal de contas o autor está preso", disparou.
Apesar das acusações, Bolsonaro disse não ter ressentimentos contra Sérgio Moro.
"Não tenho mágoa do senhor Sérgio Moro. Hoje pela manhã, alguns deputados tomaram café comigo, eu lhes disse, hoje vocês vão conhecer quem realmente não me quer na cadeira presidencial, esse alguém não está no poder judiciário nem no parlamento brasileiro. Vocês vão conhecê-lo às 11h. Se ele quer ter independência como eu tenha pode vir candidato em 2022. Eu não posso conviver com a pessoa que pensa bastante diferente de você", comentou.
Ao final do pronunciamento, Bolsonaro iniciou a leitura de seu discurso oficial e ressaltou que "meu compromisso é com o Brasil e com a democracia, sempre dei plena liberdade aos ministros, mas sem abrir mão do meu poder de veto. Moro não me procurou e preferiu uma coletiva de imprensa para anunciar sua decisão. Sérgio Moro sabe que em quase 16 meses não o procurei para interferir em investigação, a não ser a do porteiro envolvendo um de meus filhos", disse.
Entenda o caso
Sérgio Moro anunciou sua saída do Governo Federal nesta sexta-feira (24) após ter sido pego de surpresa com a exoneração de Maurício Valeixo do comando da Polícia Federal. O diretor-geral da PF era homem de total confiança de Moro e desde o último semestre de 2019 o presidente Jair Bolsonaro vinha fazendo pressão para tirá-lo da pasta.
Em seu último discurso como ministro, Moro deixou claro que a mudança na PF é pura e simplesmente interferência política vinda do presidente, uma vez que o trabalho de Valeixo tem tido bons resultados. O ex-ministro citou a redução dos assassinatos no país e o aumento de apreensão de drogas como parte positiva do trabalho da Polícia Federal.
Além da interferência política, a fala de Sérgio Moro também deixa recair sobre Bolsonaro, o fato de que o presidente quer ter acesso e controle das investigações sigilosas realizadas pela PF, algo que, segundo o ex-ministro não aconteceu nem mesmo em Governos passados que estavam sob a mira da Polícia Federal. Para Moro, a atitude de Bolsonaro quebra a autonomia da instituição.
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