Polícia

FEMINICÍDIO

Tenente-coronel é preso suspeito de matar e forjar suicídio da esposa em São Paulo

Oficial foi detido em casa, em São José dos Campos, após laudos indicarem inconsistências na versão de suicídio

Nathalia Costa

18 de março de 2026 às 10:24


Polícia cumpre mandado e prende tenente-coronel suspeito de feminicídio da esposa em São José dos Campos.
Polícia cumpre mandado e prende tenente-coronel suspeito de feminicídio da esposa em São José dos Campos.

A Polícia Civil e a Polícia Militar prenderam, na manhã desta quarta-feira (18), o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, investigado por feminicídio e fraude processual na morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. A vítima foi encontrada morta com um tiro na cabeça, no mês passado, em São Paulo.

A prisão ocorreu por volta das 8h, quando equipes da Polícia Civil e da Corregedoria da PM foram até o apartamento do oficial, localizado na rua Roma, no bairro Jardim Augusta, em São José dos Campos. O suspeito foi encontrado no imóvel e detido no local.

Segundo a Polícia Civil, o tenente-coronel será encaminhado ao 8º Distrito Policial, na capital paulista, onde passará por interrogatório e será formalmente indiciado. Após os procedimentos, ele deve realizar exame de corpo de delito e, em seguida, ser levado ao Presídio Militar Romão Gomes.

A prisão foi solicitada à Justiça na terça-feira (17), com parecer favorável do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da PM. O pedido foi aceito pela Justiça Militar após a inclusão de novos laudos periciais no processo.

 Tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto | Foto: reprodução

Entre os principais pontos que levantaram suspeitas estão a trajetória do disparo que atingiu a cabeça da vítima e a profundidade dos ferimentos identificados no corpo. Com base nesses elementos, o delegado responsável concluiu que a hipótese de suicídio não é compatível com as evidências encontradas.

Além disso, os exames apontaram que Gisele não estava sob efeito de álcool ou drogas no momento da morte e que não havia indícios de gravidez. Outro dado relevante foi a presença de manchas de sangue em diferentes cômodos do apartamento, o que sugere que a dinâmica do crime pode ter ocorrido de forma distinta da versão inicialmente apresentada.

O laudo necroscópico também revelou lesões no rosto e no pescoço da policial, reforçando a suspeita de violência antes do disparo. Outro fator que chamou atenção dos investigadores foi a ausência de vestígios de pólvora nas mãos da vítima, o que coloca em dúvida a possibilidade de que ela tenha efetuado o disparo.

Policial militar Gisele Alves Santana | Foto: reprodução

Diante desses elementos, a Polícia Civil passou a tratar o caso como feminicídio, crime caracterizado pela morte de uma mulher em contexto de violência doméstica ou de gênero. O inquérito ainda aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), que devem esclarecer de forma definitiva a dinâmica do ocorrido.

Enquanto isso, versões divergentes seguem sendo apresentadas pelas partes envolvidas. A defesa do tenente-coronel mantém a tese de suicídio e afirma confiar que os laudos finais comprovarão essa hipótese. “A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio. E isso será comprovado de forma cristalina ao final da investigação”, afirmou o advogado Eugênio Malavasi.

Já a família de Gisele contesta firmemente essa versão e sustenta que a policial foi vítima de feminicídio. O advogado José Miguel da Silva Júnior afirmou que a família nunca acreditou na hipótese de suicídio e cobra responsabilização. “Desde o início a família não acreditou que a Gisele poderia ter cometido suicídio, no primeiro contato na delegacia a mãe disse isso em depoimento e nós buscamos demonstrar o perfil do coronel. A gente aguarda agora que ele responda, que ele seja denunciado formalmente pelo Ministério Público, seja processado, vá a júri e seja condenado. Isso é o que espera a família”.

Mensagens enviadas por Gisele a uma amiga, que foram anexadas ao processo, também reforçam a linha investigativa. Em um dos trechos, a policial demonstra preocupação com o comportamento do marido: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata”.

Em depoimento, a mãe da vítima relatou que a filha vivia um relacionamento abusivo e descreveu o oficial como uma pessoa controladora e violenta. As declarações são consideradas relevantes para entender o contexto em que o crime pode ter ocorrido.

O caso segue em investigação e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias, à medida que os laudos finais forem concluídos e analisados pelas autoridades. A expectativa é que o Ministério Público decida pelo oferecimento de denúncia formal à Justiça, o que poderá levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Fonte: G1 Globo



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