Polícia

O crime não compensa, mas vende!

mais famílias decidiram denunciar os crimes de que são vítimas

Teresinha

28 de julho de 2016 às 12:07


Violência na mídia
Violência na mídia

Não que os casos de pedofilia, estupro de vulverável, abuso, feminicídio e todo tipo de violência praticada contra crianças, adolescentes e mulheres não tenham aumentado. Esses números crescem na mesma proporção do “inchaço” urbano. E são mais visíveis por ser maior a divulgação da violência na mídia. O crime, não compensa, mas vende! 

Na verdade, as famílias e as próprias vítimas criaram coragem para denunciar esses crimes. Mesmo tendo que pagar com a vida a omissão, a negligência do Estado. Mulheres que acreditaram na Lei Maria da Penha acabaram virando estatística, mortas pelos agressores a quem denunciaram acreditando na lei. 

Fato. A exposição desmedida da violência é pano de fundo para tudo. Da eleição do apresentador sensacionalista [alguns conhecidos por cometerem os mesmos crimes que condenam as berros, esmurrando a bancada, enquanto estão nas frentes das câmeras] ao varejo televisivo que vende de tudo. E vende bem. Da moto que mata ao remédio que oferece a cura. Mas esses são outros quinhentos. Violência é o nosso foco. 

Comprovada em todas as pesquisas, inclusive estudos realizados junto aos próprios agressores, na maioria das vezes os crimes contra crianças, adolescentes e mulheres são cometidos por alguém muito próximo da vítima – avô, pai, marido, padrasto, tio, irmão, primo, "amigo" – ou pessoas da confiança da família, inclusive a autoridade a quem cabe atuar para coibir essas práticas.

O caso mais recente, envolvendo estupro de vulnerável, é investigado há três semanas pela Polícia Civil do Piauí, na cidade de Geniniano, a 321 Km ao Sul de Teresina. Uma menina de 11 anos contou para a mãe, que denunciou a violência ao Conselho Tutelar de Geminiano e à Delegacia Regional de Picos. A filha vinha sendo abusada sexualmente há tempos por pelo menos oito homens, sendo cinco maiores de idade.

Ao delegado Divanilson Sena, de Picos, a criança contou que o abuso aconteceu em dias e locais diferentes – uma construção, o campo de futebol e a quadra esportiva - e que não foram todos os homens ao mesmo tempo. A polícia conseguiu ter acesso a um dos vídeos, feitos pelos próprios acusados do abuso, alguns já identificados. 

Todos os depoimentos e provas, inclusive os resultados de exames feitos na criança, foram anexados ao processo a será encaminhado à Justiça, a quem caberá decretar as prisões dos acusados.

Enquanto o inquérito não é concluído, como outros tantos - Castelo, Pajeú, Bom Jesus... - que tal ajudar o cara da TV a chegar ao mandato, comprando a moto para ganhar o capacete [para levar no braço, como protetor de cotovelo] ou o remédio que a moça bonita jura vai te dar mais “sustança”, além de combater osteoporose?

Fonte: Paulo Pincel



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction