RISCO DE FUGA
Luiz Brandão
05 de novembro de 2025 às 23:40
O juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, determinou a apreensão dos passaportes dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, investigados na Operação Carbono Oculto 86. A decisão, proferida na terça-feira (4), visa coibir a fuga do país, uma vez que, segundo o magistrado, os investigados possuem "alto poder aquisitivo" e "aeronave própria com capacidade de deslocamento transcontinental".
A operação, deflagrada na quarta-feira (5) pela Polícia Civil do Piauí em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e o Instituto de Metrologia do Piauí (Imepi), investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em favor da facção PCC (Primeiro Comando da Capital).
Decisão judicial e medidas cautelares
Na mesma decisão em que autorizou os mandados de busca e apreensão, o juiz Valdemir Ferreira Santos indeferiu o pedido de prisão temporária dos empresários, entendendo que medidas cautelares seriam suficientes para as investigações. No entanto, foi enfático ao justificar a apreensão dos passaportes.
"Evidencia-se que a adoção de medida restritiva (...) é imprescindível, diante do elevado risco de evasão internacional que os mesmos enfrentam. Ressalta-se que os investigados, bem como suas esposas, possuem considerável poderio financeiro, incluindo aeronaves e recursos líquidos substanciais, capazes de viabilizar a fuga do país", frisou o magistrado.
Além da entrega dos passaportes no prazo de 48 horas, o juiz aplicou outras medidas cautelares aos quatro investigados – Haran, Danillo e suas respectivas esposas, as irmãs Thamyres Leite Moura Sampaio e Thayres Leite Moura Coelho:
Outro ponto crucial da decisão foi o sequestro de R$ 348,7 milhões em contas bancárias ligadas às pessoas físicas e jurídicas investigadas. O valor astronômico reflete a dimensão financeira do esquimo criminoso.
Operação Carbono Oculto 86?
A Operação Carbono Oculto 86 tem como objetivo apurar crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e associação criminosa em empresas ligadas ao PCC, com foco na rede de postos de combustíveis HD, antes pertencente aos empresários Haran e Danillo.
De acordo com as investigações, o grupo operava um "braço financeiro" da facção no Piauí, utilizando uma estrutura sofisticada que incluía empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar capitais originados do crime.
Segundo o delegado Anchieta Nery, diretor de Inteligência da SSP-PI, os empresários venderam a Rede HD em dezembro de 2023 para a Pima Energia Participações Ltda em uma "sucessão empresarial considerada fraudulenta". A empresa compradora teria sido aberta apenas seis dias antes da transação. As investigações identificaram inconsistências patrimoniais e a criação de empresas em São Paulo sem lastro econômico compatível.
Adulteração de combustíveis
Além da lavagem de dinheiro, a polícia apura que a Rede HD atuava na adulteração de combustíveis. "A rede de postos HD atuava de todas essas formas, com adulteração de combustíveis e lavagem de capitais por meio de sucessão societária nas empresas", explicou o delegado Anchieta Nery.
As investigações continuam para apurar a extensão total do esquema e a participação de todos os envolvidos.
Fonte: SSP-PI
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