Teresinha
02 de agosto de 2017 às 18:08
Em entrevista coletiva na Delegacia Geral da Polícia Civil, foram apresentados detalhes da Operação Fantasma, deflagrada na manhã desta quarta-feira (02) pelo Grupo Interinstitucional de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária (GRINCOT) em parceria com o Ministério Público, Secretaria de Fazenda, Polícia Civil e Procuradoria Geral do Estado.
Foram presas nove pessoas, dentre as quais, quatro da mesma família: a mãe Vera Lúcia Leite, e os irmãos, filhos de Vera, João Canuto Neto, Mirtdams Júnior, e Willams L de Melo. A família é oriunda da cidade de Campo Maior, interior do Piauí. De acordo com a polícia, os filhos herdaram as empresas fantasmas do pai, hoje falecido, mas que já cometia crimes de ordem tributária 30 anos atrás.
“Era um negócio familiar, eles herdaram do pai e continuaram, tem até 30 anos. Desde que entrei na polícia que ouço falar desse senhor, só que nunca havia forma de operacionalizar como a forma que se operacionalizou agora. Mas isso aconteceu graças a esse agrupamento de órgãos”, explicou o delegado João José.

As investigações era contra crimes de ordem fiscal, com a utilização de empresas fantasmas e notas fiscais frias, praticando fraudes fiscais/tributárias que causaram prejuízo de mais de R$ 81 milhões de reais ao Estado. Foram cumpridos 13 mandados de prisão preventiva, e 11 de prisão temporária. Foram sequestrados cinco veículos novos, 14 caminhões, documentos, dinheiro, e cheque. Estes últimos, na residência de João Canuto Neto, em Campo Maior.
O promotor Plínio Pontes, do Ministério Público afirmou que as investigações começaram em 2015, embora os indícios de crimes tributários já viessem de antes. "Nós vimos apenas o que a quadrilha queria que víssemos. Aprofundando a investigação e nós vimos que aquelas pessoas não tinham a menor possibilidade de gerenciar empresas que trabalhavam na casa de dezenas de milhões. Então, a partir daí, nós aprofundamos as investigações", explicou.Dentro da operação, duas investigações estão em andamento: uma sobre lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio; e outra mais específica, que está na de crimes contra a ordem tributária. Foram pedidos sequestro e remoção de bens, para garantir o ressarcimento ao erário. "Nós entendemos, que o prejuizo bilionário, para um estado tão pobre como o nosso, seja pelo menos, um pouco atenuado", ressaltou o promotor.
A polícia revelou ainda que em 14 estados constam registros de empresas fantasmas: 61 no total e cerca de 20 no Piauí, todas em Campo Maior. O ramo de todas as empresas é o mesmo: comercialização de secos e molhados – armazéns de arroz, feijão, milho, soja, e etc.


Fonte: Roberto Araujo
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