GOLPISTA
Paulo Pincel
02 de agosto de 2019 às 09:37
Apontado como cúmplice do estelionatário José Evangelista da Silva Lima, o Dedé, que já trabalhou no gabinete de um vereador de Teresina e é acusado de enganar mais de 200 vítimas no “Golpe do Emprego”, o empresário Poncion Ferreira da Silva, 54 anos, assumiu que intermediou a inscrição de pelo menos 44 pessoas, inclusive familiares, no cadastro que oferecia emprego em troca de um depósito bancário, que variava entre R$ 1.500 e R$ 3 mil, dependendo do “cargo” pretendido pelo candidato a uma das vagas de trabalho na Fundação Municipal de Saúde (FMS).
Poncion, que estuda Direito e afirma trabalhar com locação de carros - e como motorista de aplicativo, as horas vagas -, acusou Dedé de usar sua “rede de influência” para atrair as vítimas para o golpe. Por isso está sendo acusado injustamente de participação no crime.
“Em janeiro de 2018, ele me disse ‘Poncion, vai aparecer umas vagas de um projeto, quando aparecer eu te aviso’. Tempos depois ele me ligou dizendo que o projeto tinha saído... Ele explicou tudo, nos mínimos detalhes. Se apresentou como coordenador do programa Mais Saúde, Mais Vida. Disse que tinha um cargo na prefeitura e que o vencimento era de R$ 7 mil. Todo mundo ficou feliz, animado. Era R$ 7 mil da agregação, tirando o INSS ficava um salário líquido de R$ 6.696”, revelou Poncion, que levou três amigos, que acabaram vítimas do golpista.
“Como desconfiar de algo que tinha o timbre da prefeitura e a assinatura da pessoa, o nome, com o endereço dela, tudo direitinho”, lamentou Poncion, que também se diz vítima de Dedé.
O investigado também relata que em um primeiro momento não fechou contrato com Evangelista porque não tinha dinheiro, e que o pagamento tinha que ser feito em até 24h. “Eu falei com meu pai, meus irmãos, com cunhados e amigos perto de mim. Eu pus várias pessoas da minha família. Como eu o conhecia há mais de 20 anos eu levei ele para minha casa”, conta indignado.
“Um dos meus amigos que também é vítima é administrador, tem experiência com cargos públicos e ainda assim foi pego por ele. Consultamos uma gestora de uma UBS que sondou informações na prefeitura e achou que era verdade. Havia indícios de que era verdade”, conta o empresário.
A casa de Poncion, na Rua Sergipe, no Pirajá, bairro da zona Norte de Teresina, virou um “escritório” do golpe, sem a participação do proprietário, jura o empresário. “Depois as pessoas que eu contava que estava tendo essa oportunidade acabavam assinando o contrato na minha casa. Mas, eu não tinha nada a ver. Eram pessoas conhecidas minhas e elas entregavam o dinheiro na mão dele (Evangelista). As pessoas foram à minha casa. Foram de boa fé. Meus familiares”, disse em entrevista ao portal Cidadeverde.com.
“Eu conheço o José Evangelista e a família dele há mais de 20 anos. Eu sei que o irmão dele é envolvido com coisa errada, mas ele eu nunca imaginei que ele tivesse envolvido com esse tipo de coisa”, garante Poncion, que afirma ter denunciado o caso em dezembro de 2018 no 7° Distrito Policial. Contra José Evangelista há registros de denúncias no 2º, no 7º e no 12º Distritos Policiais. Só no 2º DP, na Primavera, zona Norte, são nove denúncias, revela o delegado Canabrava, que investiga os golpistas.
Fonte: Polícia Civil do Piauí
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