CRIME
Valciãn Calixto
05 de outubro de 2019 às 11:21
A unidade do projeto Movimento Pela Paz na Periferia (MP3), localizada no bairro Promorar, zona Sul de Teresina, foi roubada dez vezes entre 11 de agosto e 02 de outubro deste ano. O último crime ocorreu na quarta-feira, quando os bandidos levaram, entre outros, o servidor e o roteador da Agência de Tecnologia da Informação do Piauí (ATI), equipamentos que, através de parceria entre o Governo do Estado e o MP3, garantiam o acesso à internet no local.
É através da conexão e de computadores recebidos por doação que a ONG trabalha com jovens em situação de vulnerabilidade social em bairros periféricos, distantes do centro urbano da capital, ofertando cursos como Montagem e Manutenção de computadores, Metarreciclagem e Informática Básica, segundo informações da Superintendente do projeto, Daniela Sousa.
Mais de 30 anos alunos do Promorar estão com as aulas do curso de Informática suspensas devido o último roubo. De acordo com Daniela, os criminosos subtraíram 15 monitores do espaço. “Várias peças dos gabinetes foram levadas, pois os bandidos abriram os gabinetes e tiraram placas-mãe, HD interno, levaram também o servidor e um roteador da ATI, pratos, talheres”, especifica.
A superintendente reclama de inoperância da Companhia Militar situada na comunidade. “O interessante é que ninguém ouve nada, mesmo a unidade do MP3 estando ao lado da Maternidade do Promorar e próxima da Companhia Militar do bairro, ninguém vê nada, pois já roubaram um cilindro enorme, saíram com carrinho de mão e ninguém vê, já levaram dois botijões de gás e o registro do fogão, mas a polícia não vai atrás. Da última vez que falei com o delegado, ele disse que ia mandar um chefe de investigação, só que nunca apareceu no local”, relata.
Mesmo diante das dificuldades, Daniela conta que o projeto MP3 não irá abandonar o espaço. “O prejuízo é muito grande, porém não vamos desistir da unidade do Promorar, estamos consertando máquinas que estamos recebendo para instalar lá, pois atendemos mais de 30 educandos no curso de Informática básica e nós não vamos deixar de atender o público da região”, disse.
OCUPAÇÃO
Conforme informações repassadas por Júnior do MP3, o fundador da ong, a atual unidade do Promorar era um Centro Social que estava abandonado. Notando a inatividade do local, que servia apenas de abrigo para consumidores de drogas, o projeto ocupou e assumiu a estrutura pública, movimentando a rotina da comunidade.
“Em parceria com Secretaria Estadual de Assistência Social (SASC), ocupamos o prédio que estava sucateado. Na primeira vez em que entraram, arrebentaram a porta da sala de computação e levaram apenas os HDs, no dia seguinte roubaram os monitores, depois os botijões de gás. Só a sala de inclusão foi roubada quatro vezes”, alarmou.
Segundo os gestores, na última tentativa, os ladrões tentaram levar a geladeira. “Durante a penúltima tentativa quiseram roubar o ar-condicionado, mas não conseguiram, então nós retiramos e levamos para sede do projeto, que fica no bairro São Pedro”, conta Daniela.
SEGURANÇA
Diante da ação contínua dos ladrões, o consequente contato reincidente com a Polícia da região, Daniela faz um retrato da Segurança Pública do Estado. “Tem apenas 17 dias que o atual delegado assumiu o cargo e é o que mais tem dado atenção para nossa situação. O anterior sempre justificava que não tinha viatura disponível para atender as ocorrências de roubo”, afirma.
Para Daniela, o distrito do Promorar está sucateado. “O 4º Distrito nem lâmpada tinha na sala de registro de B.O., na frente do prédio sequer tem placa de identificação. Nem telefone lá tinha”, critica.
AULAS
O projeto MP3 aguarda novas doações de computadores para retomar as atividades na unidade do bairro Promorar.
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