Polícia

Fuga

Áudios comprovam vazamento de informação das operações contra grileiros no Piauí

Também foram divulgados áudios da conversa entre suspeito de grilagem de terras

Paulo Pincel

05 de junho de 2019 às 23:59


Gaeco
Gaeco

Houve vazamento de informação sobre os mandados de prisão e de busca e apreensão determinados pela Justiça nas operações Terra Nullius e Sal da Terra, que desarticularam uma organização criminosa acusada de grilagem de terrenos públicos nas praias de Macapá, Carnaubinha e Barra Grande, no litoral do Piauí. A investigação aponta a participação de empresários, advogados, autoridades, dono de cartório, servidores públicos e policiais militares.

A grilagem, segundo a investigação, era feita com uso de extrema violência. Casas e outros imóveis eram derrubados e incendiados e os moradores “nativos” agredidos e expulsos dos terrenos. O próprio prefeito de Luís Correia, empresário Kim do Caranguejo (PSB), admitiu que foi ameaçado por milicianos contratados por grileiros.

Ainda segundo as operações, dois delegados de Polícia Civil estão sendo investigados sob suspeita de avisar os suspeitos, contra os quais haviam sido expedidos as ordens de prisão.

O promotor de Justiça, Rômulo Cordão, coordenador das operações Terra Nullius e Sal da Terra, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), divulgou áudios de conversas telefônicas autorizadas pela Justiça entre o advogado Apoena Machado e o empresário Luís Nunes Neto, suspeitos de participação no esquema.

Apoena Machado demonstra preocupação com a presença do policial militar identificado como Galeno (Valdeci Galeno), contratado para invadir as terras derrubar as cercas dos terrenos. Apoena revela que há  "prova concreta", uma vídeo, dele ateando fogo na madeira das cercas, ao lado de dois policiais, Dwan Rodrigues, o "Branquinho", e Valdeci Galeno, o "Galeno".

O empresário Luís Neto diz ao advogado Apoena Machado que negocie com o delegado responsável pelo caso, para não aceitar a denúncia de contratação de milícia armada por eles. E que o “delegado político” faria a substituição do titular e abafaria a investigação contra os dois.

“Vou resumir. Primeira coisa é conseguir com o delegado, com politicagem, que ele não denuncie. Se ele pegar o inquérito e denunciar a gente e fizer a denúncia ao Ministério Público aí complica, entendeu? A gente vai ter um problema por bastante tempo... Mas, o mais importante agora é o delegado fazer, concluir esse inquérito não denunciando ninguém”, disse o empresário.

O delegado citado várias vezes na conversa entre Apoena e Luís Neto é Eduardo Ferreira, que também teria ligado para Luís Neto e pedido para conversar com ele no dia em que a operação aconteceria. Um áudio, que também foi divulgado pelo Gaeco nesta quarta-feira (5), revela que a delegada Cassandra Moraes Souza, esposa de Luís Neto, ligou para o marido avisando da decretação da prisão dele.

Os repórteres da TV Clube (GLOBO) tem obtido informações exclusivas do Gaeco, que chegou a convocar uma coletiva, depois desmarcada. Os advogados dos suspeitos também se manifestaram através do programa PITV1 (conteúdo repetido à noite no PITV2).

Arte: Gaeco/TV Clube

Fonte: Gaeco/TV Clube



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