A economista e mestra em educação Rosário Bezerra prendeu a atenção de crianças e jovens da Escola Estadual Solange Vieira, no bairro Promorar, ao proferir palestra de divulgação do seu livro "Socializando para ser Negro", ontem.Na ocasião, Rosário, que é integrante do movimento Coisa Negro, chamou atenção para o fato de que, segundo o IBGE, 48% dos brasileiros, se enquadram como negros, no entanto, os demais, que em sua maioria também possuem influência afro, preferem desconsiderar essa realidade. "É comum ouvir as pessoas se orgulhando de descenderem de outros povos, mas poucos são os que se dizem descendentes da África", lamenta.Rosário Bezerra, em seu discurso, atribuiu o preconceito com relação ao negro, ao fato de que a escravidão deixou como seqüela uma desqualificação ao longo do tempo. Mas chamou a atenção para as mudanças favoráveis que vêm acontecendo, principalmente a lei 10.639, que obriga as escolas de ensino fundamental a ensinarem a origem da história da áfrica.Entre as muitas questões levantadas pelos alunos, a dúvida a respeito da implantação do sistema de cotas nas universidades mereceu destaque. Para Rosário Bezerra, o sistema de cotas é uma medida de correção da desigualdade que existe, mas deve ser uma ação temporária. "Quando se acorrenta alguém por muito tempo e depois se solta, é natural que aquela pessoa não consiga andar de uma vez, ela precisa se readaptar. O mesmo acontece com o povo negro, que ao longo dos séculos foi privado do direito à educação. Sou favorável à implantação do sistema de cotas, mas por um período limitado", enfatiza.
Fonte: Redação do Piaui Hoje