Municípios

Jesualdo Cavalcanti lança livro que aborda a realidade do Gurguéia

Piauí Hoje

Teresinha

13 de julho de 2009 às 05:07


lançamento oficial do livro \'Gurguéia - Espaço, Tempo e Sociedade\', do escritor Jesualdo Cavalcanti Barros, será na próxima sexta-feira (17), às 19 horas, na Casa da Cultura de Corrente, que acaba de ser reaberta para o público. Escrito na nova ortografia, a obra literária contém um conjunto de informações sobre a realidade do Gurguéia, uma região tão rica quanto desconhecida. No livro, são expostos os aspectos geográficos, históricos, econômicos, sociais, político-administrativos e culturais que caracterizam a área. Em recente matéria publicada no Jornal Diário do Povo (26/06/2009), o ex-deputado federal e atual presidente do Centro de Estudos e Debates do Gurgueia (CEDEG), Jesualdo Cavalcanti afirma que tudo que importa a respeito do território do Gurguéia mereceu destaque, inclusive as atas de instalação de seus primeiros municípios - Parnaguá e Jerumenha -, agora descobertas e publicadas. Segundo Jesualdo, a saga da colonização do Gurguéia se confunde com o processo levado a efeito no próprio Piauí, pois se localizaram justamente nas margens do rio Gurguéia, quando da concessão das primeiras terras aos desbravadores dos então chamados Sertões de Dentro (1676), tendo à frente Domingos Afonso Mafrense. "Este, ao falecer em 1711, legaria ao Colégio dos Jesuítas, na Bahia, a administração de fazendas e sítios que totalizavam nada menos de 145 léguas de extensão por 75 de largura. Vale salientar que o sistema baseado na concessão de léguas de sesmarias (uma légua de sesmaria correspondia a 6.600 metros, resultando em 4.346 hectares uma légua quadrada) redundaria na brutal concentração das terras em mãos de uns poucos, cujos efeitos deletérios se fazem sentir nos latifúndios que até hoje emperram o desenvolvimento de justas relações no campo", relata o autor. Em \'Gurguéia - Espaço, Tempo e Sociedade\', Jesualdo Cavalcanti destaca a bravura que demonstrou o tenente-coronel José Lustosa da Cunha, futuro "Barão de Santa Filomena", ao descer o caudaloso Parnaíba em balsas de talos de buriti, à frente do 2º Corpo de Voluntários da Pátria, organizado naqueles sertões, para combater as tropas do ditador Solano López na Guerra do Paraguai (1865/1870). E sugere: "Nessa epopeia sem igual nos anais de nossa história, resta homenagear, sem delongas, o sacrifício de mais de uma centena desses bravos que se imolaram nas carnificinas dos campos paraguaios, em honra da pátria ultrajada". Conforme ainda o artigo, é preciso saber que a isolada Corrente se tornou berço da diversidade religiosa no Piauí ao inaugurar, em 1904, o primeiro templo não-católico - a Igreja Batista - convertendo-se, a partir daí, em centro de irradiação desse culto para todo o Estado. E que, em contraposição, a Prelazia de Bom Jesus do Gurgueia, criada para combater o protestantismo, não se instalou na cidade que lhe dá o nome e, sim, em São Raimundo Nonato (1922), a cerca de 350 km de distância. Para o compositor literário, Jesualdo Cavalcanti (e-mail: jesualdo@gurgueia.org.br), "a obra deixaria a desejar se não retratasse as famílias tradicionais, muitas delas com raízes fincadas nos primórdios da colonização e ainda hoje aparelhadas de efetivo poder de mando político, não raro espalhado por municípios vários". Por fim, garante Jesualdo: "Como não poderia deixar de ocorrer, foi possível captar um rico vocabulário popular, em que é fácil perceber que lá viceja um linguajar único e inconfundível, evidenciando traços culturais bem distintos, não imunes, no entanto, a influências de vizinhos baianos e pernambucanos".

Fonte: Assessoria



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