EXECUÇÕES FISCAIS
Teresinha Ferreira
06 de julho de 2026 às 07:01 ▪ Atualizado há 7 horas
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reduziu em 39,9% o estoque de execuções fiscais em tramitação no país entre 2023 e 2025. O resultado faz parte do relatório Justiça em Números 2026, divulgado neste mês, e reflete os efeitos da política nacional de eficiência criada para diminuir o acúmulo de processos de cobrança tributária.
Ao longo dos últimos três anos, 16,2 milhões de execuções fiscais foram encerradas, tornando esse o maior avanço já registrado na redução do acervo processual desse tipo de ação, considerado há décadas o principal gargalo do Poder Judiciário brasileiro.
Estoque caiu quase 40%
Os dados mostram que o número de execuções fiscais em tramitação caiu de 27,3 milhões, ao final de 2022, para 16,4 milhões no encerramento de 2025. Somente no ano passado, a Justiça deu baixa em 5,8 milhões de processos, entre ações concluídas normalmente e aquelas extintas com base na Resolução nº 547/2024 do CNJ. A norma autoriza o encerramento de execuções fiscais de até R$ 10 mil que permaneçam sem movimentação útil por mais de um ano, desde que não tenha ocorrido citação válida do devedor nem localização de bens passíveis de penhora.
Mudança acelerou o julgamento dos processos
A política começou a ser implantada em outubro de 2023 por meio de uma ação conjunta entre o CNJ, os Tribunais Regionais Federais, o Conselho da Justiça Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Advocacia-Geral da União. Antes da iniciativa, a Justiça brasileira conseguia encerrar entre 3 milhões e 4 milhões de execuções fiscais por ano, número insuficiente para acompanhar a quantidade de novas ações.
Execuções fiscais encerradas
Total: 16,2 milhões de processos baixados.
Menos ações chegaram ao Judiciário
Outro resultado apontado pelo levantamento foi a redução no número de novas execuções fiscais ajuizadas. Em 2022, o Judiciário recebeu 3,8 milhões de novos processos. Em 2025, esse número caiu para 1,3 milhão, uma redução superior a 65%. A queda é atribuída às novas regras da Resolução nº 547/2024, que determinam que a cobrança judicial só pode ocorrer após tentativas de solução administrativa, conciliação e protesto do débito em cartório.
Novas execuções fiscais
Justiça Federal teve aumento pontual
Apesar da tendência nacional de redução, o relatório registra que a Justiça Federal recebeu 373 mil novas execuções fiscais em 2025, um crescimento de 90,9% em relação ao ano anterior. Segundo o CNJ, a variação decorre de fatores metodológicos e não altera o cenário geral, que demonstra redução do estoque de processos e maior eficiência na tramitação das execuções fiscais. Para o Conselho Nacional de Justiça, os resultados mostram que a política de racionalização da cobrança tributária tem contribuído para tornar o Judiciário mais eficiente, liberando recursos humanos e estruturais para o julgamento de processos considerados mais complexos e relevantes para a sociedade.
Fonte: conjur.
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