A secretaria nacional Anti-drogas divulgou pesquisa onde aponta que Teresina é uma das três capitais do Nordeste onde há maior índice de alcoolismo no Brasil. A capital piauiense vem acompanhada de Salvador e Fortaleza. Segundo o hepatologista e coordenador do projeto Viva Bem, Antônio Filho, a cultura da bebida ainda é muito presente no Nordeste, principalmente entre os jovens, onde beber é símbolo de virilidade e de maioridade.A Organização Mundial de Saúde-OMS revela que o álcool é a maior causa de mortes no país, representando 10% do percentual de mortos, seja por alcoolismo, acidentes de trânsito e a violência em todas as formas. Além disso, é responsável também por depressão, impotência sexual e distúrbios de sono. "É preciso cons-cientização e informação por parte da população para que sejam conhecidos os riscos do álcool", destaca Antônio Filho.Outra forma de combate à doença é o conhecimento sobre o padrão de uso do álcool. Existe um padrão de uso de bebida que leva ao chamado etilismo de risco. Estão nesse grupo as pessoas que consomem 14 drinks por semana ou quatro por ocasião em que estão bebendo. Um drink equivale a um chopp, uma taça de vinho e uma dose de destilado. Homens que consomem esse percentual têm 90% de chances de algum dia ter problemas relacionados ao alcoolismo. "Essa foi uma pesquisa realizada em vários países e é um termo amplamente usado nas organizações de saúde", disse Antônio Filho.As pessoas que consomem um percentual menor têm menos chances de sofrer as conseqüências. Para cada cinco pessoas que bebem uma será dependente de álcool. Caracteriza-se por alcoolismo a perda do controle sobre como, quando e onde beber e quando a bebida traz prejuízos seja na família, no trabalho, na saúde.Mas o alcoolismo também pode ter causas genéticas. O filho de uma pessoa dependente do álcool tem riscos maiores de ser alcoólatra. Sobre os jovens, pesquisas revelam que quando se começa a beber na adolescência o risco de se tornar dependente aumenta em cinco vezes, por que Sistema Nervoso Central-SNC está em fase de maturação e com isso aumenta o feito do álcool sobre o organismo.O médico cita três fatores relacionados ao aumento do consumo de bebida entre jovens, na faixa etária de 12 a 19 anos: a indústria do álcool; controle social e aspectos culturais. A indústria do álcool se baseia principalmente na cultura de que quando se bebe, aumenta-se o desejo sexual, por que a substância dopamina é estimulada. Porém, com o passar do tempo, o álcool tem o efeito inverso, levando quem bebe a impotência sexual. "No Brasil não se bebe com moderação", disse Antônio Filho.
Fonte: DP