Economia

Teresina é a capital brasileira onde as mulheres fazem menos o exame P

Piauí Hoje

Teresinha

04 de abril de 2008 às 04:04


As informações fornecidas pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo, nas capitais dos 26 estados do país e no Distrito Federal, revelam os hábitos relacionados à saúde dos brasileiros adultos (> 18 anos).O inquérito é feito anualmente desde 2006. "Estamos construindo uma linha de base para o monitoramento dos fatores de risco de doenças crônicas não transmissíveis. A idéia é, a partir dos dados, basear as políticas públicas de promoção à saúde e prevenção de doenças não transmissíveis", explica a coordenadora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde, Deborah Malta.A pesquisa consistiu em mais de 54 mil entrevistas telefônicas, com um mínimo de 2 mil indivíduos adultos (18 ou mais anos de idade) em cada uma das 26 capitais e no Distrito Federal. A amostragem foi realizada a partir de cadastros das linhas telefônicas residenciais de cada cidade, onde um morador foi selecionado para ser entrevistado.Para a análise dos dados, foram utilizados fatores de ponderação que igualam a composição sócio-demográfica da amostra em cada cidade àquela observada no Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000. Com isto, todas as faixas etárias, de sexo e escolaridade são representadas, conforme a distribuição populacional do Brasil.As entrevistas foram feitas entre julho e dezembro de 2007 por uma equipe de 60 entrevistadores, quatro supervisores e um coordenador. No questionário perguntas sobre tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, ingestão de frutas e hortaliças, atividade física, proteção contra raios ultravioletas, auto-avaliação do estado de saúde, diagnóstico autodeclarado de hipertensão e diabetes e, para as mulheres, exame de mamografia e preventivo de colo de útero (Papanicolau).Os resultados do VIGITEL mostram que, de uma forma geral, as brasileiras têm cuidado mais da saúde: alimentam-se melhor, fumam menos, são menos sedentárias, bebem menos e têm menos excesso de peso.Por outro lado, cerca de 43,4% da população adulta estão com excesso de peso (IMC> 25), apenas 17,7% da população atendem às recomendações da OMS de comer cinco porções diárias de frutas e hortaliças, o consumo de carne com gorduras aparentes está no cotidiano de 32,8% da população e 29,2% dos adultos são sedentários. Veja a seguir os principais resultados: TabagismoA freqüência de fumantes nas 27 cidades é de 16,4%. "Percebemos que esse hábito está diminuindo, mas o ideal é a sua eliminação" comenta Deborah Malta. A cidade com maior freqüência de fumantes é Porto Alegre (21,7%) e a menor é Salvador (11,5%). Se for comparado o hábito entre homens e mulheres, eles (20,9%) fumam mais que elas (12,6%). Os homens que mais fumam no país estão em Florianópolis (26,4%) e as mulheres, em Porto Alegre (20,1%). Em ambos os sexos a freqüência de fumantes cai após 54 anos de idade, alcançando menor número entre os indivíduos com 65 anos ou mais. Excesso de peso e obesidadeAqueles com excesso de peso (IMC maior ou igual a 25kg/m2) já somam 43,4% da população das capitais brasileiras. "A situação é preocupante, o excesso de peso é um fator de risco para doenças do coração, diabetes e outras", observa a coordenadora. A maior parcela de adultos com excesso de peso foi encontrada em Cuiabá (49,7%), tanto em homens (57,0%) como em mulheres (42,2%), e a menor em Palmas (33,4%). Em geral, a ocorrência do excesso de peso é mais freqüente em homens do que em mulheres. O cruzamento entre excesso de peso, grau de escolaridade e sexo revela que, entre homens, o maior número de indivíduos acima do peso está entre os de maior escolaridade. Já entre mulheres o aumento do peso ocorre quanto menor a escolaridade.Já em relação à obesidade (IMC maior ou igual a 30 kg/m2), o conjunto das capitais tem 12,9% de obesos sendo a maior parcela encontrada no Macapá (16,1%), seguido de Campo Grande (15,0%). A menor quantidade de obesos está em Palmas (8,8%). O maior número de homens obesos foi encontrado em Macapá (19,5%) e de mulheres, em Cuiabá (14,8%). Consumo recomendado de frutas e hortaliçasO consumo recomendado pela OMS é de 400g/dia de frutas e hortaliças, o que corresponde a cinco ou mais porções, pelo menos em cinco ou mais dias por semana. No conjunto das capitais e no Distrito Federal, a freqüência da população adulta que consome essa quantidade foi de 17,7%. "Precisamos traçar estratégias para aumentar o consumo de frutas e hortaliças", alerta Deborah Malta.A maior freqüência foi encontrada em São Paulo, que apresentou 23% da população com esse hábito. Porto Velho, do lado oposto, apresenta apenas 10%. Entre os homens, a menor freqüência foi encontrada em Porto Velho (6,9%) e a maior em São Paulo (17,5%). Já entre as mulheres, a frequência variou de 10,6%, em Boa Vista, a 27,7%, em São Paulo. Consumo de carnes com excesso de gorduraO consumo de carne vermelha gordurosa ou frango com pele sem remover a gordura visível do alimento foi de 32,8% da população adulta de todas as capitais e Distrito Federal. A freqüência foi maior em Campo Grande, (45,6%) e menor em Salvador (22,9%). "Campo Grande é a segunda capital em quantidade de obesos. É preciso trabalhar a informação que comer carne sem gordura é melhor para a saúde e previne doenças cardiovasculares", explica Deborah. Homens tendem a consumir mais (42,7%) que mulheres (24,3%). Os homens de Belo Horizonte são os que mais consomem (57,1%). Entre as mulheres, as de Campo Grande tiveram o maior percentual (35,3%). Consumo de leite integralO leite integral é consumido por 53,2% da população do conjunto das cidades estudadas. A faixa de consumo dessa bebida variou entre 42,7%, em Vitória (menor ingestão), a 64% em Belém (maior ingestão). A maior freqüência de consumo de leite integral entre homens foi observada em Manaus (61,7%). Entre mulheres, a maior freqüência foi encontrada em Belém (66,5%). "O consumo de leite em adultos é uma importante fonte de cálcio, mas deve ser incentivada a opção de adotar o uso do leite desnatado, sem gordura, que previne doenças crônicas", recomenda a coordenadora. Consumo de refrigerantesA freqüência de adultos que consomem refrigerantes cinco ou mais dias da semana variou de 21% em Aracaju (menor regularidade) a 38% no Macapá (menor regularidade). No conjunto das capitais e Distrito Federal, 26,7% dos entrevistados bebem refrigerantes. Os homens bebem com maior freqüência (31,7%) que as mulheres (22,4%). Entre os homens adultos, Porto Velho é a capital onde há maior consumo (43%) e o menor em Natal (19%). Entre as mulheres, o maior percentual de consumo da bebida é em Macapá, com (38%), e o menor em Natal (12%). Foi observado também que quanto maior a escolaridade menor o consumo de refrigerantes. Atividade física no lazerEntre os homens, 19,3% praticam atividade física no lazer e entre mulheres apenas 12,3%. Entre homens, a prática regular de exercício mais freqüente acontece em Belém (25%) e a menos freqüente é em São Paulo (16%). Entre as mulheres, o maior número foi em Palmas (19%) e o menor em São Paulo (8%). A faixa etária entre os homens onde a freqüência é máxima é dos 18 aos 24 anos. Entre mulheres, a situação mais desfavorável é encontrada nas faixas etárias extremas: apenas 10% das mulheres jovens e 11% das idosas informam atividade física no lazer. Inatividade físicaNo outro extremo da atividade física está o sedentarismo. A freqüência varia de 25% da população em Porto Velho a 34% em Recife. No conjunto das capitais brasileiras, 29,2% dos entrevistados são sedentários. Houve variação entre os dois sexos para o sedentarismo: os homens são mais sedentários (30,9%) que as mulheres 27,8%. Entre homens a maior freqüência de inatividade física foi encontrada em Florianópolis (35%) e entre mulheres em Teresina (32%). Quanto maior é a faixa etária (> 65 anos) menor é o percentual da população que faz exercícios, tanto nos homens (54%), quanto nas mulheres (58%). Consumo de bebidas alcoólicasO consumo abusivo de bebidas alcoólicas (considerado mais de cinco doses para homens e mais de quatro para mulheres em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias) variou entre 13,4%, em São Paulo e 23% em São Luís. A freqüência no conjunto das capitais foi de 17,5%. Na maioria das cidades, a ingestão abusiva foi três vezes maior nos homens (27,2%) do que nas mulheres (9,3%). O maior percentual entre os homens se deu em São Luís (39%) e o menor em São Paulo (21%). Entre mulheres, Salvador é a capital onde há maior consumo (14%) e Curitiba o menor (5%). A partir dos 45 anos de idade a ingestão de álcool declina progressivamente. Dirigir após consumo de bebidasO consumo abusivo de bebidas alcoólicas seguido de direção é maior em Palmas (4,5%) e a menor freqüência no Rio de Janeiro (1%). Nas capitais do Brasil, o percentual geral foi de 2%. Ao comparar eles com elas, a situação é mais freqüente entre homens (4%) do que entre mulheres (0,3%). Os homens de Teresina são os que mais bebem no país e conduzem um automóvel (9,5%). As mulheres do Distrito Federal e de Palmas são as que mais ingerem bebida alcoólica e depois dirigem (1,8% e 1,6% em cada capital, respectivamente). Auto-avaliação do estado de saúdeA auto-avaliação da saúde, obtida com uma única questão que pede para o indivíduo classificar seu estado de saúde em excelente, bom, regular ou ruim, tem sido amplamente utilizada em inquéritos de saúde. De obtenção simples, a resposta a esta questão produz uma classificação global do estado de saúde capaz de captar, além de sinais e sintomas de doenças (diagnosticadas ou não por profissional de saúde), o impacto que essas doenças geram no bem-estar físico, mental e social dos indivíduos.Cerca de 5% dos brasileiros avaliaram seu estado de saúde como ruim. A freqüência de adultos que auto-avaliou seu estado de saúde como ruim variou entre 3,3% em Belo Horizonte e 7,9% em Manaus (maior freqüência). Entre homens, o maior percentual foi em Salvador, com 7%, e, entre mulheres, Manaus, com 10%. De uma maneira geral, as mulheres tendem a achar seu estado de saúde pior que os homens. Prevenção de câncer de colo de úteroO Ministério da Saúde recomenda o exame de colo de útero (Papanicolau) a cada três anos para todas as mulheres entre 25 e 59 anos que apresentaram citologia normal no último exame. Para o conjunto das capitais, o percentual foi de 82%, sendo que os maiores percentuais foram observados em São Paulo (90%) e Porto Alegre (90%) e os menores em Teresina (68%) e Fortaleza (69%).

Fonte: MS



@production @if(request()->routeIs('site.home.index')) @endif @endproduction