Economia

FIM DO MITO

Tecnologia e irrigação transformam semiárido do Piauí em novo polo produtor de uvas finas

Com apoio da ciência e manejo avançado, região sul do estado supera desafios climáticos e amplia área plantada em 20% em 2025; produção deve crescer quase 50% em 2026

Por Luiz Brandão, de São João do Piauí

26 de maio de 2026 às 03:13 ▪ Atualizado há 7 horas

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  • A produção de uvas no Piauí, antes considerada impossível devido ao clima seco, é agora uma realidade graças à tecnologia e irrigação.
  • O cultivo cresce significativamente, com aumento de 20% na área plantada em 2025 e expectativa de 50% a mais na produção em 2026.
  • Municípios como São João do Piauí, Conceição do Canindé e Pedro Laurentino se destacam em produtividade, especialmente com a variedade BRS Vitória.
  • São João do Piauí é pioneira no cultivo e realiza eventos para fomentar a cultura da uva.
  • As condições de solo, sol e disponibilidade de água, aliadas à pesquisa, são fundamentais para o sucesso da viticultura na região.
  • A Embrapa aponta que 78 municípios podem ser tecnicamente viáveis para o cultivo de uvas no estado.

Cultivo de uva irrigada em São João do Piauí
Cultivo de uva irrigada em São João do Piauí

O mito de que o clima quente e seco do Piauí impedia a produção de uvas caiu por terra. Graças ao avanço da tecnologia e do cultivo irrigado, a uva piauiense é hoje uma realidade consolidada, e a produção cresce significativamente a cada ano. Em 2025, o aumento da área plantada foi de 20% na região de São João do Piauí, e a produção deve ter um incremento de quase 50% em 2026.

Plantar uva no coração do semiárido piauiense já foi considerado um desafio impossível, visto como uma aposta contra o clima. Mas o cenário atual, impulsionado pela tecnologia e pela ciência, prova exatamente o contrário. O cultivo de uvas no Piauí é uma realidade promissora, transformando a economia de pequenas cidades e quebrando paradigmas agrícolas no Nordeste.

O símbolo dessa virada de chave está em pequenos atos: de uns anos para cá, dois pés de uva no pátio interno do Hotel Posada do Cônego, em Oeiras, a primeira capital do estado, produzem uvas suficientes para servir aos hóspedes, funcionários e familiares do dono pelo menos duas vezes ao ano. O exemplo caseiro reflete o que hoje acontece em larga escala.

Fim do mito

Atualmente, a produção se destaca em polos estruturados em municípios como São João do Piauí, Conceição do Canindé e Pedro Laurentino. Nessas localidades, produtores alcançam altas produtividades, chegando a toneladas por hectare, com foco em uvas finas de mesa, especialmente a variedade BRS Vitória.

Lurdinha Pereira é referência de produção de uvas no assentamento Marrecas, em São João do Piauí 
Principais polos produtores

O sucesso da viticultura piauiense está ancorado em três regiões que souberam aproveitar as condições locais com auxílio da pesquisa:

· São João do Piauí: considerada pioneira, a região destaca-se pela alta rentabilidade familiar. A cidade já conta com um Circuito da Uva e um festival dedicado à cultura, movimentando o agronegócio e a economia local.

· Conceição do Canindé: tornou-se um polo de referência com cultivares como a uva Vitória, alcançando colheitas expressivas mesmo em pequenas propriedades rurais. A cidade sedia projetos de pesquisa da Embrapa para fruticultura irrigada.

· Bom Jesus: a região beneficia-se da água do Aquífero Cabeças e da alta insolação. Projetos inovadores integram a produção de uvas de mesa e de vinho, unindo cultura e técnicas sustentáveis.

A tríade do sucesso: sol, solo e água

Pesquisadores da Embrapa Meio-Norte explicam que o segredo para o sucesso na produção de uva no Piauí está na combinação de três fatores: solo propício, sol abundante o ano todo e disponibilidade de água para irrigação. "Nós podemos demonstrar em qualquer lugar o potencial que o Piauí tem para produzir uva. O Piauí pode se tornar um grande produtor e exportador", afirma Anísio Lima Neto, chefe da Embrapa Meio-Norte.

Dados históricos da Embrapa indicam que, sob condições irrigadas, o cultivo de videiras europeias é tecnicamente viável em 78 municípios do estado, que ocupam 27% da superfície da região semiárida. Isso porque o clima seco reduz problemas fitossanitários e aumenta a qualidade da fruta.



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