Economia

APARTAMENTOS

Preços de apartamentos no Brasil sobem mais de 50% em cinco anos

Estudo da CBIC aponta alta nos custos de construção e queda nos estoques como principais fatores do aumento

Elaine

28 de maio de 2024 às 09:43


Preço de apartamentos sobrem no Brasil
Preço de apartamentos sobrem no Brasil

O índice de preços médios de apartamentos no Brasil cresceu mais de 50% nos últimos cinco anos, conforme indica um novo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A pesquisa revela que o índice de preços alcançou 171,9 pontos no trimestre encerrado em março deste ano, representando uma alta de 54,4% em relação aos primeiros três meses de 2019, quando estava em 111,35 pontos. Este índice reflete a variação de preços dos apartamentos ao longo do trimestre e considera uma análise realizada em 220 cidades brasileiras.

O estudo também mostra um avanço de 12% em comparação ao primeiro trimestre do ano passado, quando o índice estava em 153,46 pontos. Segundo representantes da CBIC, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação ou Administração de Imóveis Residenciais ou Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) e da Brain Inteligência Estratégica, esse movimento é resultado de dois fatores principais: o aumento dos custos de construção durante a pandemia e a queda nos estoques de apartamentos disponíveis.

“No passado recente, há cerca de dois anos, tivemos altas expressivas nos preços de aço, cimento, alumínio e cobre devido à pandemia, o que pressionou os preços dos imóveis a subir”, explicou Renato Correia, presidente da CBIC. “Isso independe da capacidade de pagamento dos clientes. O custo de construção subiu e é preciso manter as companhias com uma margem operacional, então o preço sobe.”

Atualmente, o aumento de preços está mais relacionado à queda dos estoques de apartamentos, em meio ao número reduzido de novos lançamentos. De acordo com a CBIC, o lançamento de apartamentos residenciais totalizou 56.355 unidades no primeiro trimestre deste ano, uma redução de 9,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. A oferta final registrou uma queda de 12,2%, totalizando 272.708 unidades.

“Nós estamos no menor patamar de oferta final”, afirmou Fábio Tadeu Araújo, presidente da Brain Inteligência Estratégica. “Se ninguém lançasse mais nada hoje, em 9,9 meses os estoques estariam esgotados. Esse é o nosso recorde de menor tempo de escoamento de oferta.”

Com menos apartamentos disponíveis, a tendência é que os preços continuem a subir, obedecendo à lei da oferta e demanda. “Agora vemos um movimento diferente, não mais de custo de materiais, mas de menos lançamentos. Com as vendas no mesmo patamar e os estoques diminuindo, isso naturalmente leva a um aumento nos preços”, disse Correia, da CBIC, prevendo que os preços continuarão a subir ao longo deste ano.

Destaque para o Programa Minha Casa Minha Vida

Outro destaque no mercado imobiliário, segundo o levantamento da CBIC, é o crescimento dos lançamentos dentro do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), beneficiado por mudanças implementadas pelo governo no ano passado. Com subsídios maiores, juros mais baixos e aumento no valor máximo dos imóveis, o programa estimulou tanto as incorporadoras quanto os compradores.

Os lançamentos na modalidade MCMV aumentaram 24,7% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2023. Já as vendas de apartamentos do programa subiram 21,3% na mesma base de comparação.

Para Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, esses números refletem as mudanças no programa, e a expectativa é que tanto os lançamentos quanto as vendas continuem a crescer. “Estamos voltando aos patamares anteriores, antes de o programa se mostrar desajustado em relação às curvas de subsídios e limites operacionais”, afirmou Petrucci.

Fábio Tadeu Araújo, da Brain, acredita que o segmento MCMV continuará se destacando. “Esse é o maior mercado, onde há mais demanda. E com o apoio de diferentes governos, é ainda mais fácil atender essa demanda”, disse Araújo. Ele prevê que o volume de lançamentos do MCMV ultrapassará outros segmentos do mercado imobiliário ao longo deste ano, destacando que atualmente 47% dos lançamentos são do programa MCMV. “Praticamente metade do mercado já é Minha Casa, Minha Vida, e a expectativa é que essa proporção aumente no segundo semestre”, completou.

Fonte: G1



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