PPP
Teresinha
12 de dezembro de 2019 às 07:12
Mesmo levando 30 minutos no trajeto, contando ida e volta, Maria prefere ir ao local para comprar legumes, verduras e frutas. Segundo ela, a economia chega a ser de metade do valor. Apesar da vantagem financeira, até dois anos atrás a aposentada evitava o lugar. Quem ia à antiga Ceasa encontrava um ambiente desorganizado, sujo, com restos de alimentos nos corredores das barracas e arredores, além de banheiros quebrados.
Hoje, a cena é outra. A Ceasa, inaugurada oficialmente em 1976, agora recebe cerca de 10.000 pessoas por dia, 12% mais do que a média de 2017. O que causou essa transformação no entreposto foi a concessão à iniciativa privada.
Concedida pelo governo do Piauí em maio de 2017, a Nova Ceasa foi arrematada pela empresa local Brazilfruit e tinha como projeção investimentos de 86 milhões de reais durante os 30 anos de contrato. Após a análise do projeto pela empresa, o valor caiu para 36 milhões de reais sem nenhuma diminuição dos objetivos estipulados pelo governo. “Essa redução de valor mostrou que o próprio governo não tinha conhecimento da gestão do espaço. Gastaríamos mais para fazer o mesmo”, diz Viviane Moura, superintendente estadual de Parcerias e Concessões.
Até o momento foram aportados 12 milhões de reais na operação e houve melhoras além da limpeza e da manutenção: o volume de alimentos vendidos cresceu 15%, para 35.000 toneladas no último ano. A meta é dobrar a quantidade até 2022. “Queremos que a Nova Ceasa seja uma espécie de centro de distribuição para o interior do Nordeste”, diz James Andrade, presidente da Nova Ceasa.
O retorno do investimento é esperado em nove anos. O sucesso do projeto já ultrapassou as fronteiras do Piauí. Em 2018, a concessão foi uma das 15 escolhidas pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, ligada à Organização das Nações Unidas, como exemplo de parceria que coloca os benefícios à população em primeiro lugar, incluindo a criação de um banco de alimentos para evitar desperdício e o apoio a pequenos produtores rurais.
A Nova Ceasa é uma das apostas do Piauí em parcerias e concessões iniciadas há cinco anos. Um levantamento feito pela consultoria Radar PPP, especializada no tema, mostra que o estado foi o segundo com mais iniciativas na área de 2015 a 2019: saiu de zero para 45.
No mesmo período, a liderança ficou com São Paulo, com 49 projetos, e Minas Gerais foi o terceiro, com 23. Em contrapartida, 25 projetos do Piauí estão sem novidades publicadas por cerca de 12 meses, e a Radar PPP os classificou como paralisados. “O Piauí evoluiu muito, mas o desafio é reduzir o número de projetos paralisados”, diz Bruno Pereira, sócio da Radar PPP.
O governo discorda que haja iniciativa parada. “Cada processo tem um tempo de estruturação. Alguns dependem de lei prévia; outros, de levantamento de mercado”, diz a superintendente Viviane. Com os 45 projetos em andamento, espera-se a atração de 10 bilhões de reais em investimentos.
Para alcançar essa meta bilionária, o governo do Piauí precisará ser mais célere no andamento dos projetos. Até agora somente cinco saíram efetivamente do papel: a Nova Ceasa, a concessão dos terminais rodoviários de Picos, Floriano e Teresina, o ginásio poliesportivo do Verdão, a subconcessão dos serviços de água e esgoto de Teresina e a PPP Piauí Conectado.
A reportagem completa sobre como o Piauí
Fonte: Exame/ André Jankavskiaccess_time12
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