As mães de até 20 anos de idade são responsáveis por cerca de 20% do total de nascimentos no país. Ou seja, para cada cinco crianças nascidas no Brasil, uma foi gerada por mãe jovem. O dado ajuda a compor as Estatísticas do Registro Civil de 2006, divulgadas nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em números absolutos, dos 2,8 milhões de nascimentos em 2006, 560 mil ocorreram com mães de até 20 anos. Segundo a pesquisa, o índice permanece estável há pelo menos uma década."É um índice estável, porém alto. Todas as medidas educativas parecem ter efeito parcial sobre a população dessa faixa etária", opinou Wagner Silveira, supervisor do IBGE-SP.De acordo com dados anteriores do IBGE, o "boom" de mães jovens ocorreu entre meados da década de 80 e de 90, quando estes nascimentos atingiram a casa dos 20%. "Em 1984, o percentual de mães de até 20 anos de idade era de 13,4%. A partir daquele ano e até 1997, este índice cresceu significativamente, atingindo os 20%, patamar no qual permanece até hoje. Os números refletem mudança de comportamento e precocidade da iniciação sexual", disse Silveira.O supervisor do IBGE acrescentou ainda que desse crescimento de quase 7% entre 1984 e 1997, 5% se concentraram na faixa etária de 15 a 17 anos. "Em 1984, mães entre 15 e 17 anos representavam 4,5% dos nascimentos. Entre 1997 e 1998, esse índice dobrou, atingindo 9%." Os Estados do Maranhão (27,6%), Pará (26,8%) e Tocantins (26,6%) foram os que concentraram os maiores percentuais de nascimentos em mães menores de 20 anos em 2006. Nem mesmo o leve declínio percentual em quase todo o país no ano passado - com exceção das regiões Norte (de 24,8% para 25,4%) e Sul, que se mantiveram no patamar de 19%, mudam o quadro. "A variação é bem pequena, não representa uma mudança significativa", completou Silveira.Menos registrosAs Estatísticas do Registro Civil mostraram também que, em 2006, houve um declínio de registros de nascimento no país. Foram registrados 2.799.128 milhões de nascimentos em 2006, cerca de 75 mil a menos do que no ano anterior (2.874.753 milhões), o que representa uma queda de 2,6%. Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2006 já constataram que a taxa de fecundidade da população era de dois nascimentos por mulher, a mais baixa já registrada pelo IBGE, caindo ao nível do limite da reposição, ou seja, o valor mínimo que garante a reposição futura da geração presente.Só na região Norte do país houve aumento do número de registros: 254,5 mil, 417 a mais do que em 2005 (254,1 mil). A alta se concentrou nos Estados do Amapá (11,4%), Roraima (8,2%), Pará (1,4%) e Tocantins (0,3%). Em termos absolutos, o ano com a maior quantidade de nascimentos registrados foi 1999 (2.939.278), quando uma campanha nacional de registro civil impulsionou a alta.Proporção de nascimentos em mães menores de 20 anos (%)REGIÃO 2005 2006 NORTE 24,8% 25,4% NORDESTE 23,7% 23,4% SUDESTE 18,4% 17,5% SUL 19,0% 19,0% CENTRO-OESTE 21,7% 21,2%
Fonte: Folha Online