Economia

Municípios receberão a Carreta da Saúde para combate da hanseníase

Piauí Hoje

Teresinha

19 de março de 2010 às 04:03


O Piauí irá receber pela segunda vez a Carreta da Saúde, um projeto de cidadania corporativa que tem como objetivo colaborar para a eliminação da hanseníase no Brasil, por meio da educação, diagnóstico e tratamento da doença. Para isso, Arthur Custódio, coordenador nacional do Morhan(Movimento de Reintegração das pessoas atingidas pela Hanseníase) veio a Teresina afim de fazer a mobilização para a vinda da carreta ao Estado. Arthur Custódio explica que, neste momento, o papel do Morhan é basicamente de mobilizar a sociedade civil para que ela faça um controle social da eliminação da doença, para que diminua o preconceito e tenha acesso a informações. Em 2008, a carreta veio ao Piauí através da articulação do Morhan de Teresina, mas para a atuação do projeto este ano é preciso do apoio de diversas prefeituras e secretarias municipais de saúde para que se possa percorrer as regiões mais endêmicas. Por isso, farão parte da reunião a SESAPI, FMS, SASC e a Secretaria Estadual dos Direitos Humanos. No próximo dia 22, Artur Custódio se reunirá com secretários municipais de saúde para realizar a mobilização e organização da ação como também participar de um seminário no INSS para discutir os benefícios para as pessoas que tem hanseníase. O dia 03 de maio é a data prevista para a primeira visita da carreta que circulará por 10 municípios piauinese, entre eles: Teresina, Esperantina, Pedro II, Valença, São Raimundo Nonato, São João do Piauí e Dermerval Lobão. A escolha desses municípios deve-se por, boa parte, serem consideradas áreas que tem difícil acesso as informações e necessitam de ações prioritárias, o que totalizará 02 meses de campanha no Piauí. Para se ter uma idéia, em União, inicialmente, foram registrados 17 casos de hanseníase, mas com a passagem da carreta em 2008, foram constatados mais de 100 casos. A Carreta da Saúde, um caminhão itinerante, possui cinco consultórios e um laboratório para atender a população das cidades por onde passará. No veículo, todos recebem informações sobre a doença e seus sintomas, se consultam com um médico, realizam um exame para identificar se estão com hanseníase e, em caso positivo, recebem na hora o medicamento para o tratamento no primeiro mês - o medicamento é oferecido gratuitamente na rede pública.Nos cinco consultórios, a população terá acesso a um laboratório para exames de baciloscopia, elevador hidráulico, toalete e um palco para ações culturais e educativas. Os médicos que atendem na carreta são profissionais do próprio município, porque serão eles que vão dar continuidade aos tratamentos após a consulta. Arthur destaca que o foco da campanha é a hanseníase, mas nada impede que outros trabalhos de conscientização com outras doenças possam ser feitos em paralelo. A hanseníase, que atinge principalmente as populações menos favorecidas, geralmente de escassos recursos e acesso restrito a tratamentos e informação, ainda é endêmica no Brasil. O país registra 40 mil novos casos todos os anos, colocando o país em 2º lugar no restrito mapa global da doença - a Índia é a 1ª com quase 200 mil casos/ ano. Conhecida por muito tempo, erroneamente, como lepra, os portadores de hanseníase têm como principal desafio vencer o preconceito e obter acesso à informação e à terapia gratuita. A Carreta da Saúde atua exatamente nessas frentes. Arthur Custódio, coordenador do Morhan, revela que a sociedade tem recebido pessoas com hanseníase com menos preconceito, pois antigamente havia um tratamento de segregação e isolamento muito grande. "A impressão é que diminuiu o preconceito, mas este ainda existe em maior freqüência com as pessoas mais velhas, não sei se é por conto do acesso à informação. O importante é que haja uma política de enfrentamento ao preconceito, a exemplo do trabalho feito aqui no Piauí junto com a OAB", afirma Arthur.

Fonte: Agências



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