Relatório do Ministério da Saúde alerta que dois macacos morreram no Maranhão durante este mês, com suspeita de terem sido vítimas de febre amarela silvestre. Os corpos dos animais foram encontrados no povoado de Santana, cerca de 10 km da sede do município de Estreito, e na zona rural de Pastos Bons, no povoado de Primavera. A Secretaria Estadual de Saúde (SES), por sua vez, não confirma que os animais morreram vítimas de febre amarela silvestre. Mesmo assim, a SES enviará duas equipes na próxima semana para a região já pensando em montar uma barreira epidemiológica no local e investigar a possibilidade de detectar o vírus da febre amarela na região.De acordo com o superintendente de Epidemiologia e Controle de Doenças da SES, Henrique Jorge dos Santos, a morte dos dois macacos em Estreito e Pastos Bons, mesmo sem a confirmação de que eles foram vítimas de febre amarela, aumentou ainda mais a preocupação da secretaria com a doença. "Desde quando ocorreram os casos de febre amarela em Goiás, nós já vínhamos fazendo um trabalho preventivo. A morte desses animais apenas acendeu ainda mais o nosso "sinal amarelo" em relação à doença", disse Henrique Jorge dos Santos "Além disso, como os corpos dos macacos estavam em avançado estado de decomposição, dificilmente poderemos constatar que eles morreram de febre amarela. Para conseguir uma conclusão confiável, nós precisaríamos ter encontrado esses corpos até 24 horas após a morte dos animais", disse o superintendente. Conforme o relatório do Ministério da Saúde, em 151 localidades brasileiras foram encontrados macacos mortos com suspeita de terem sido vítimas de febre amarela silvestre este mês. Em Goiás, onde já foram confirmadas nove mortes de humanos por febre amarela, houve 68 pontos de mortes de macacos com suspeita de terem contraído o tipo silvestre da doença. No Distrito Federal, foram 38 locais; em Tocantins, 17; em Minas, 15; em São Paulo, quatro; em Mato Grosso e Paraná dois pontos cada e em Roraima, Rio Grande do Sul, Bahia e Acre, em apenas um local houve morte suspeita de macaco com febre amarela silvestre.InvestigaçãoSegundo Henrique Jorge dos Santos, na próxima semana duas equipes - aproximadamente 10 pessoas, entre veterinários, motoristas e agentes - deverão se deslocar para as cidades de Estreito e de Pastos Bons para capturar o mosquito transmissor da doença. Macacos que habitam a região também devem ser investigados para saber se há indícios de que o vírus da febre amarela tenha chegado ao Maranhão. "Os mosquitos serão capturados e enviados a Belém para maiores estudos", explicou o superintendente de Epidemiologia e Controle de Doenças da SES.Mesmo com a informação de que dois macacos podem ter sido vítimas de febre amarela, Henrique Jorge minimizou a possibilidade de que alguma pessoa possa vir a contrair a doença no estado. "Apesar da momentânea falta de vacina, já aplicamos aproximadamente 6 milhões de doses em todo o Maranhão e isso significa que praticamente todo o estado está imunizado contra a doença. Agora, a população não pode se deixar levar pelo desespero. Somente quem precisa de vacina são as pessoas que estão indo para áreas de campo ou de risco. Na área urbana, não há risco de ocorrência da doença", ressaltou o superintendente.Ainda de acordo com a SES, na próxima semana, provavelmente, deverá chegar ao Maranhão o terceiro lote de vacinas contra a doença. Até ano passado, o Maranhão recebia cerca de 100 mil doses por mês. Com as mortes em Goiás, o estado passou a receber apenas 20 mil doses. Neste ano, foram enviados apenas dois lotes para o Maranhão. "Ainda não temos o quantitativo de doses que devem chegar ao estado na próxima semana, mas estamos esperando uma boa remessa, visto que estamos tendo uma alta demanda", pontuou Santos.
Fonte: Imirante